A comissão técnica e o elenco principal do Athletico se reapresentam no CT do Caju nesta terça-feira (1º) com a missão de resolver, ou pelo menos encaminhar, a decisão sobre a titularidade da meta rubro-negra.

A permanência do veterano Santos, de 36 anos, ou a mudança para Mycael, de 22 anos, é um dos pontos que serão debatidos internamente ao longo desta semana de preparação para o jogo contra o Cruzeiro. O duelo, válido pela 26ª rodada do Brasileirão, acontece no domingo (6), às 16h, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Segundo informação do influenciador Vinicius Furlan, da Trétis, o técnico Odair Hellmann tem uma reunião marcada para o período da tarde para debater o assunto. O encontro terá a participação de Felipe Faria, preparador de goleiros, e, obviamente, levará em conta quais serão as posturas dos dois goleiros.

Essa é a primeira vez que uma mudança na meta é debatida desde julho de 2025. Durante a Série B, Odair fez a mudança oposta: Mycael era titular e Santos era o substituto até a derrota de virada para o Volta Redonda, por 3 a 2, fora de casa, pela 17ª rodada. Depois daquele jogo, o técnico Odair Hellmann resolveu barrar o goleiro, marcado por inseguranças e falhas desde a reta final do Brasileirão de 2024, o que assegurou o retorno da titularidade de Santos.

Odair mudou tom após falha bizarra de Santos contra o Fluminense

Com esse problema, a postura de Odair mudou publicamente. A falha do goleiro do Athletico no segundo gol do Fluminense, em um chute mascado do atacante Agustín Canobbio, fez com que toda a pressão da Arena da Baixada fosse direcionada para o veterano.

Santos chegou a ser vaiado pelas arquibancadas ainda durante a partida e virou alvo comum nas redes sociais. Enquanto uma parte da torcida defende o ídolo pela história, outra exige a troca imediata da titularidade no gol.

Nesse contexto, a postura pública do técnico Odair Hellmann mudou ao longo do último mês. A falha de Santos causou um apagão no time em um duelo direto pelo G4 do Brasileirão. O peso do confronto também contribuiu para essa mudança de tom.

Odair Hellmann, técnico do Athletico, durante partida pelo Campeonato Brasileiro.
Odair Hellmann comanda o Athletico na campanha histórica do Brasileirão. Foto: Marco Buenavista/Sports Press Photo/Getty Images/IconSport.

“Quanto ao Santos e qualquer jogador, a decisão vai ser tomada com equilíbrio e critério. Não vai ser aqui agora na coletiva. Falhamos todos, a responsabilidade é do treinador de tomar decisões, de mudança de estrutura ou mudanças de jogadores. Assim vai ser feito, com muita calma e tranquilidade para que a gente faça a melhor escolha para o time e continue com a força que estamos demonstrando até agora no campeonato”, disse Odair após o tropeço diante do Flu.

O discurso adotado é diferente do que era no início de agosto. No dia 6, por exemplo, logo após a eliminação vexatória para o Vitória, na Copa do Brasil, o treinador bancou Santos e decretou que não abriria disputa pela titularidade no gol.

Três dias depois, no dia 9, Mycael foi titular e teve boa atuação na vitória por 2 a 0 sobre o Santos, pela 22ª rodada da Série A. A chance surgiu porque Santos cumpriu suspensão pelo terceiro cartão amarelo.

Na entrevista pós-jogo, o próprio Mycael declarou que entendia a titularidade de Santos e exaltou a ótima relação com o companheiro.

“O cara é um ídolo do Athletico, um dos maiores e que tem mais jogos. Ter ele no dia a dia é muito bom. É um cara que me ajudou muito, sou eternamente grato e brinco que o Santos é um pai para mim. Conheci ele com 13 ou 14 anos de idade e desde menorzinho tenho ele de referência. Entendo e respeito o processo”, disse o piá do Caju, que completou 10 anos no Furacão nesta temporada.

Um pouco antes da zona mista, Odair tinha sido mais incisivo na entrevista coletiva. No mesmo tom pós-eliminação, o comandante seguiu em defesa de Santos e disse que “não jogaria o goleiro na sarjeta”.

“Sobre o Santos e Mycael, quero aproveitar a pergunta e falar o seguinte: quem não erra? Qual é o ser humano que não erra? Zagueiro, lateral-direito, treinador, você e todo mundo. Quando o cara cometeu uma situação individual que não foi o melhor dia dele, vamos pegar esse dia e jogar toda a história dele fora?”, iniciou o comandante rubro-negro.

Vamos pegar um cara que é ídolo, que já entregou tanto e é chamado de múmia por tanta faixa [de campeão] que tem, e vamos jogar ele na sarjeta? Será que um ídolo tem que perder a idolatria com uma situação dessa? Para a gente passar de fase, o Santos pegou os pênaltis. E nem vou contar todas as outras coisas que o Santos fez aqui na história”, disparou.

O treinador relembrou que Santos foi decisivo na disputa de pênaltis contra o Atlético-GO, o que fez com que a equipe chegasse às oitavas de final da competição. Além disso, fez referência ao fato de ele ser um jogador histórico do clube.

Aos 36 anos, o arqueiro já tem 326 jogos e superou Barcímio Sicupira, tornando-se o quinto atleta que mais vestiu a camisa rubro-negra na história.s, o arqueiro já tem 326 jogos e superou Barcímio Sicupira, tornando-se o quinto atleta que mais vestiu a camisa rubro-negra na história.

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