O Athletico terá pela frente nas quartas de final um time tetracampeão da Libertadores: o Estudiantes de La Plata. Apesar de não fazer parte do grupo dos "cinco grandes do futebol argentino", os pinchas são um dos maiores e mais tradicionais clubes da América do Sul.

Daquelas equipes "copeiras", o Estudiantes nasceu em 1905 quando um grupo de jovens estudantes do ensino médio e universitário, cansados ​​de serem negligenciados pelo Gimnasia de La Plata, que não tinha o futebol como prioridade no clube, mas, sim, estava mais interessado em promover atividades sociais e esportes de salão, decidiram fundar o novo clube. Desde então, as equipes da cidade de La Plata são arquirrivais.

Desportivamente, os alvirrubros estão bem à frente do rival: quatro taças da Libertadores (1968, 1969, 1970 e 2009), um Mundial sobre o Manchester United (1968), seis argentinos (1913, 1967, 1982, 1983, 2006 e 2010), além de duas Copas da Argentina (1944 e 1945) e três conquistas da segunda divisão argentina (1911, 1954 e 1995).

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Momento do Estudiantes

No entanto, o Estudiantes não vive seus melhores anos. O jejum de títulos já dura 12 temporadas.

A equipe também voltou à Libertadores depois de três anos sem disputar e não chegava às quartas de final desde 2010. Sob o comando do experiente Ricardo Zielinski, o time começou bem o ano e chegou a ficar 13 jogos sem perder no primeiro semestre.

Na Libertadores, os pinchas também fizeram uma ótima fase de grupos: conquistaram 13 pontos, com quatro vitórias, um empate e apenas um derrota, e a primeira posição do Grupo C. Porém, dos últimos 11 jogos (entre mata-mata e Argentino), só venceram dois: o Fortaleza, pela Libertadores, e o Barracas, pelo campeonato local.

Na Liga Argentina, inclusive, os alvirrubros estão apenas na 22ª posição, de 28 times, com 12 pontos em 11 partidas. O último resultado foi um empate em casa contra o Banfield por 0 a 0, no sábado (30).

"O Estudiantes está vivendo uma realidade estranha porque, na Libertadores, demonstrou um rendimento dos melhores, mas, no torneio local, a realidade tem sido totalmente diferente nas últimas partidas. É algo que a comissão técnica está trabalhando, mas, de alguma maneira, mudaram nomes, esquemas, e ainda não encontraram a fórmula para a recuperação", afirmou Tomás Yaques, jornalista da Rádio La Cielo e do portal Cielo Sports, de La Plata.

Ao todo, na temporada, são 40 jogos, com 20 vitórias, 10 empates e 10 derrotas, com 65 gols marcados e 46 sofridos.

Destaques, contratações e saídas no Estudiantes

Do elenco à disposição do técnico Zielinski, quatro nomes se destacam: o goleiro Andújar, o zagueiro Rogel e os atacantes Leandro Díaz e Mauro Boselli.

O veterano Andújar, 39 anos, que renovou seu contrato nesta semana até o fim de 2023, é referência e um ídolo do time. Capitão e campeão da Libertadores 2009, é um goleiro seguro e que falha pouco.

Já o zagueiro uruguaio Rogel, 24 anos, é quem comanda o setor defensivo. É muito forte nas bolas paradas: são sete gols na temporada, sendo cinco deles em bolas áreas.

O centroavante Díaz, 30 anos, é o homem de confiança do treinador. Vinha se destacando ao lado de Mauro Boselli, mas agora tem atuado sozinho na frente. Tem 10 gols na temporada, dois pela Libertadores. Com uma lesão muscular, está fora da partida de ida.

"É um centroavante de muita entrega. Conhece muito o Ruso Zielinksi, que também foi seu treinador no Atlético Tucumán. Um cara bom de bola área, faz bem o pivô e que combinava muito bem com o Boselli, mas que está machucado. Antes, era um 4-4-2, com dois centroavantes de origem, que se revezavam", explica Lucho Silveira, comentarista dos canais Disney e especialista em futebol sul-americano.

Por fim, Boselli é artilheiro e ídolo da equipe. Ao lado de Andújar, também esteve na campanha do título da Libertadores sobre o Cruzeiro em 2009.

No Brasil, é conhecido por ter atuado pelo Corinthians entre 2019 e 2020. Em 2022, o atacante tem 13 gols e três assistências em 27 partidas. No entanto, não atua desde o jogo de volta contra o Fortaleza, pelas oitavas de final desta edição, quando teve um problema na sola do pé.

Ruso foi forçado a mudar esquema do Estudiantes

Os desfalques do zagueiro Fabián Noguera e do atacante Mauro Boselli - que está relacionado e deve ficar no banco de reservas -, além da saída do atacante Gustavo Del Prete, que foi para o futebol mexicano, nos últimos jogos, fizeram o técnico Ruso mudar o esquema tático da equipe, que atuava em um 4-4-2.

Diante do Banfield, no último sábado (30), por exemplo, o time atuou com uma linha de cinco defensores, em um 5-4-1.

"Para esta partida, para buscar melhorar na parte defensiva, a comissão deve manter a linha de cinco, algo que já foi testado na partida contra o Banfield, sábado (30). Nesta última semana, o corpo técnico se dedicou muito à parte defensiva e a recuperar a bola. Querem, de alguma maneira, recuperar a identidade que levou o Estudiantes a brigar em todos os campeonatos que disputou. O time está vivendo um de seus momentos mais críticos em um ano e meio do trabalho. Nunca teve uma sequência tão ruim, com tantas partidas sem ganhar e demonstrando um nível bastante fraco", acrescentou o jornalista argentino Tomás Yaques.

O clube também contratou dois jogadores: o atacante uruguaio Mauro Méndez, do Montevidéu Wanderers, e o zagueiro Nehuén Paz, que chegou por empréstimo da Universidad Católica-CHI. Com a ausência de última hora de Díaz, Mauro Méndez, que entrou alguns minutos contra o Banfield, deve ser titular diante do Furacão.

Nehuén Paz e Mauro Méndez são reforços
Nehuén Paz e Mauro Méndez são reforços| Divulgação/Estudiantes

Escalação do Estudiantes contra o Athletico

O provável Estudiantes, então, para encarar o Athletico tem: Andújar; Godoy, Rogel, Morel, Lollo e Más; Castro, Zuqui, Corcho Rodríguez e Piatti; Mauro Méndez.

O confronto de ida será nesta quinta-feira (4), às 21h30, na Arena da Baixada. A volta será no dia 11 de agosto, próxima quinta-feira, no Jorge Luis Hirschi, o Estádio UNO, em La Plata, na Argentina. O estádio tem capacidade para 30 mil pessoas.

"O Estudiantes aposta muito nessa competição. Fazia tempo que o clube não avançava longe, como agora. Tem na sua diretoria o Verón, tem o Andújar, que são pessoas identificadas com o clube, vencedores. Por isso, eles apelam muito para essa mística, essa áurea de copeiro que tem o Estudiantes de La Plata. Dentro de casa é um inferno, a torcida lota e joga junto. E o time explora muito a bola área, gosta muito dessa bola alçada na área, tanto defensiva como ofensivamente, essa parte muito latente no seu jogo", afirmou Lucho Silveira.

"Não se assusta em jogar fora de casa, tem jogadores experientes que já rodaram, principalmente, o futebol argentino. Lollo jogou no River, Más no Boca e no San Lorenzo, o Rollheiser era do River, então não tem medo de jogar em uma Arena da Baixada, por exemplo. São dois estádios que têm o mesmo estilo, a mesma atmosfera, uma coisa bem copeira mesmo", finaliza o comentarista.

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