Confesso que, em jogos do Athletico, a essa altura da vida, faço drama em tudo. Talvez porque já tenha perdido aquela inocência que alimenta a ilusão do torcedor de que tudo será possível.

Mas senti que não era só eu. O jogo na Baixada, contra o fraco Volta Redonda, foi disputado em um ambiente desconfiado, que provocava certo dramatismo. Não havia ninguém que não se lembrasse daquela derrota para o Bragantino, que rebaixou o clube para esta Segundona.

E, se não bastasse, surgiu outra razão para esse clima shakespeariano, quando o VAR demorou três minutos para traçar as linhas e anular um gol do Volta Redonda. Nesse momento, o atleticano beijou a sua medalhinha, e o treinador Odair Hellmann sacou o terço e rezou o Salve Rainha.

Mas tudo isso acabou quando Julimar, com a visão de um sábio que antevê o fato, entrou na área sabendo que ali cairia a bola de Mendoza. Com a bola nos pés e de frente para o gol, Julimar é uma bênção: 1 a 0.

Terán e Zapelli comandam a redenção atleticana

A partir daí, surgiram duas figuras soberanas: o zagueiro Carlos Terán e o meia Bruno Zapelli. Terán é um daqueles zagueiros raros que lembram os beques da velha guarda — um Alfredo Gottardi, para ficar no mundo atleticano. É um virtuoso, um estilista. Um destruidor pela técnica: tem a exata noção do campo para encurtar o caminho, destruir, lançar ou sair jogando.

Já Zapelli, enfim, encanta com a sua técnica e agora exterioriza as virtudes que escondia: a inteligência e a ambição para comandar o jogo do time.

Odair Hellmann comemora com a torcida. Foto: Robson Mafra/IconSport.

Com os dois atrás, tudo se torna fácil para as virtudes dos atacantes Julimar e Viveros. Até Leozinho, que é firulento e ignorante, sente-se à vontade — e faz gol: Athletico 2 a 0. Ignorante como é todo jogador que, para comemorar um gol, tira a camisa, desprezando a história do clube e a publicidade que paga o seu salário.

Agora é contra a Ferroviária, em Araraquara. Desesperada para não ser rebaixada, ela precisa vencer. É bem melhor estar tranquilo, com o objetivo de voltar ao Brasileirão.

Já sou capaz de jurar, com a mão no testamento de São Mateus que tenho aqui do meu lado: o Athletico sobe.

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