Eduardo Faria Machado Salles Filho acreditou que ficaria milionário, como a maioria dos garotos que começam a se destacar no futebol. Dono de uma habilidade acima da média para colocar a bola na rede durante as categorias de base, alcançou o invejável status de "joia do CT do Caju" no fim dos anos 2000.

“Muita gente não sabe, mas sou o maior artilheiro das categorias de base do Athletico. São 285 gols que tenho registro”, orgulha-se o centroavante, hoje com 31 anos e uma trajetória incrivelmente diferente dos planos iniciais.

Eduardo Salles em treino com a equipe principal do Furacão. Antônio Costa/Arquivo/Gazeta do Povo
Eduardo Salles em treino com a equipe principal do Furacão. Antônio Costa/Arquivo/Gazeta do Povo| ANTONIO COSTA/ANTONIO COSTA

Ao invés de deslanchar no time do coração, Edu Salles entrou para a estatística de jogadores que não estouraram. Virou o infame "foguete molhado". O talento existia, mas ele, por si só, nunca é garantia. A pressão foi grande demais para um adolescente que recebeu pouca orientação familiar.

“Meu pai foi uma pessoa que não soube lidar com tudo isso. Ao invés de ajudar, em muitos momentos me atrapalhou. Não tive ninguém para me fazer entender que tinha que demonstrar todos os dias, e cada vez mais, que eu era tudo isso que as pessoas falavam. Demorei anos para compreender”, analisa o jogador, que atualmente milita na quarta divisão da Espanha, feliz e realizado.

A jornada até lá teve alguns altos, e muitos baixos. Decisões erradas, riscos mal calculados, empresários picaretas, uma forte depressão que o levou a engordar 35 kg. Seis países, três continentes e até uma aposentadoria precoce antes de uma redenção improvável.

“Por muitos momentos me peguei caindo na bebida, na farra, na festa. Minha vida sempre foi uma montanha-russa. Tinha aqueles momentos em que me dava uma bad, mas também reunia forças para levantar a cabeça e ir para cima no dia seguinte. Fiz terapia e minha esposa sempre me ajudou. Nunca desisti”, revela.

Salles foi artilheiro na base do Athletico. Divulgação/Athletico
Salles foi artilheiro na base do Athletico. Divulgação/Athletico

Período escuro

Eduardo Salles, de joia atleticana com potencial para valer milhões, passou a um virtual ex-jogador de futebol aos 26 anos, mesmo ainda novo, já com extensa rodagem pelo universo da bola. Entrou em depressão. Futebol era página virada.

“Passei oito meses no Rio morando na casa do meu sogro, já estava vivendo junto com a Juliana. Novamente me afundei na bebida. Entrei em depressão. Não queria fazer nada. Naquela época não entendia o que acontecia, hoje eu vejo. Foi um período escuro”, afirma.

O curitibano engordou rapidamente e chegou aos 117 kg, muito longe da silhueta de um atleta profissional de futebol com de 1,81m de altura. Mas uma nova oportunidade estava por vir.

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Em abril de 2017, a companheira viajou a trabalho. Salles, então, voltou a Curitiba para terminar os estudos e tentar se reencontrar na vida. Ele se reconectou com amigos da época do Futebol 7. “Ia mais pela cervejinha e pelo churrasco depois da pelada”, confessa.

Em pouco tempo, recebeu uma ligação do técnico do Trieste, Ivo Petri, convidando-o para jogar na Suburbana. “Fui conversar com ele e disse que precisava de 30 dias para entrar em forma para não passar vergonha”.

Com o combustível bancado por Petri, o centroavante se deslocava para Quatro Barras, na Região Metropolitana, para treinar com um preparador físico do time de Santa Felicidade. Em apenas um mês, perdeu 20 kg. Com mais três semanas de preparação ficou bem perto do peso ideal, os 82 kg ostentados atualmente no Mensajero, da Espanha.

O esforço deu resultado. O atacante se destacou e foi vice-campeão do tradicional campeonato curitibano. Ironicamente, voltou a se sentir profissional em um time amador.

“É um clube organizado, com uma baita estrutura, que paga em dia. Foi acendendo uma chaminha que estava apagada, aquela paixão pelo futebol. E ainda tem gente que acha que é vergonha jogar no futebol amador”, questiona.

Mágoa e gratidão por Petraglia

Mario Celso Petraglia merece um capítulo especial na história de Edu Salles. Ao mesmo tempo em que o telefone do dirigente nunca ignorou as mensagens e ligações de "Dudu", como ele é carinhosamente chamado pelo cartola, as portas do CT do Caju nunca mais se abriram.

“Cheguei a procurá-lo pedindo uma oportunidade em alguns períodos, mas a resposta sempre foi negativa. Dizia que estava velho. A mentalidade dele é mais para o negócio mesmo, mas é alguém que admiro muito”, frisa.

“Fica uma mágoa, já que foram oito anos de Athletico, além do tempo de torcedor, desde criança, quando entrava no campo com os jogadores e frequentava a sala de imprensa”, acrescenta o neto do experiente radialista Remy Tissot, atualmente na Rádio CAP.

Também existe, entretanto, uma dívida de gratidão com Petraglia. Recentemente, Tissot, que é diabético, esteve a ponto de ter o pé amputado, de acordo com Salles. Quem garantiu o socorro necessário foi o dirigente.

“Meu avô já perdeu alguns dedos por causa da doença e não tinha plano de saúde. Quando o Petraglia soube, botou ele em um plano com cobertura total, deu toda assistência. Eu entrei em contato para agradecer. Ele é uma pessoa de bom coração. Com o Dudu sempre foi muito atencioso, mas com o atacante Eduardo Salles o bicho pega”, garante o atleta, que nunca entrou na Justiça contra o Athletico por imaginar que poderia retornar algum dia.

“O êxtase máximo da minha carreira foi no Carnaval de 2008, quando joguei na Arena com o time profissional do Athletico pela primeira vez”, reitera.

Redenção na Espanha

Em junho de 2018, Edu Salles decidiu que sua vida seguiria no Trieste, seguiria em Curitiba. Ele casou no civil, alugou um novo apartamento na cidade e acertou outro vínculo com o time da Suburbana.

Quatro meses depois, outra oferta bateu à sua porta. Desta vez, da Espanha. Uma chance única, novamente com um grande risco embutido. “A categoria era a Preferente, amadora. Era como se fosse da Suburbana espanhola. Eu estava ganhando mais no Trieste do que receberia lá”, revela.

Arquivo pessoal
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Depois de tantas roubadas, a dúvida sobre agarrar ou não a chance no pequeno Trujillanos era mais do que justa. O salário seria de 300 euros por mês, além do aluguel de uma casa.

“Minha esposa me encorajou. Arriscamos e, na pior das hipóteses, estaríamos na Espanha. Fui na raça e daria a vida para crescer. Já estava há dois anos e meio fora do mercado profissional. Não adiantava esperar uma oferta maravilhosa que nunca chegaria”, justifica.

Em 20 jogos, Edu Salles marcou 20 gols com a camisa do time de Trujillo, cidade de nove mil habitantes na província de Cáceres, na comunidade autônoma da Extremadura. O time subiu para a Tercera División, equivalente à quinta divisão do país.

Na renovação de contrato, passou a receber 550 euros, além de ter despesas como mercado e aluguel bancados pelo clube. “Pode parecer pouco, mas foi algo muito precioso pra gente”, enfatiza.

Porém, por causa de burocracia com o visto, o jogador ainda não estava apto a fazer um contrato profissional. Foi preciso aplicar para um visto de estudos, o que seria muito importante mais pra frente. Ou seja, além da bola, ele teria que estudar o idioma todos os dias.

No início de 2020, o ex-atleticano foi convocado para a seleção de Extremadura para a disputa da Copa das Regiões, torneio que reúne selecionados das diferentes comunidades do país. No retorno, no dia 11 de março, tudo parou por causa da pandemia de Covid-19.

Em lockdown na Espanha, eles permaneceram em Trujillo até o clube comunicar que não poderia renovar o contrato por questões financeiras. “A gente estava a ponto de ficar na rua, entre aspas, quando o treinador de um time da cidade vizinha liga querendo me contratar, com condição de contrato melhor”.

Pelo Miajadas, Salles fechou dezembro de 2020 como artilheiro do campeonato, atraindo propostas de rivais. No último dia da janela de inverno, acertou com o Mensajero, das Ilhas Canárias.

Arquivo pessoal
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Rubro-negro, o clube é totalmente profissional e ofereceu salário acima dos 1 mil euros. “Fiz cinco gols pelo time, 13 no total em 25 jogos na temporada. Fomos campeões com duas rodadas de antecedência e conseguimos acesso para a Segunda División [que representa a quarta divisão do país]”, explica Salles, que no ano passado relatou ao UmDois Esportes a brutal erupção vulcânica nas Canárias.

“Meu sonho palpável é jogar na La Liga Smartbank, a Segunda Divisão espanhola. Tive uma ascensão incrível em três anos aqui. Fisicamente, me encontro em meu melhor momento aos 31 anos de idade. Só depende de mim. E como depende de mim, tenho certeza que vou chegar”, aposta.

Depois de tantas idas e vindas, de chegar ao fundo do poço e perceber que existe saída, o Edu que não estourou no Athletico pode dizer, de boca cheia, que vingou na vida, que é bem-sucedido. Aquele clichê de que você é a soma de todos seus erros e acertos na vida encaixa perfeitamente na jornada do prata da casa do CT do Caju.

“Achei que seria milionário. Todo menino do futebol deve sonhar com isso. Mas com o passar dos anos percebo que dinheiro não quer dizer nada. Sou muito grato com o que tenho. Não sou milionário, mas tenho uma condição de vida muito boa, vivo em um país seguro, tenho uma família estruturada. Não dependo de ninguém, pago minhas contas. Eu também sonhei em ser famoso. Tenho certa fama em alguns lugares. Isso me basta, sou realizado”.

Do início promissor no Athletico às aventuras pelo mundo; os outros capítulos da saga de Edu Salles

Edu Salles subiu para o elenco profissional do Athletico em janeiro de 2008. A despeito da fama como grande artilheiro na base, recebeu poucas oportunidades no time do coração.

Entre permanentes e interinos, o clube teve cinco técnicos naquela temporada, rotatividade que inviabilizaria a utilização de um atacante de 17 anos, ainda cru. A estreia na Arena da Baixada contra o Adap/Galo, pelo Paranaense, não sai da sua memória, assim como o início de uma insana sequência de carreira.

Salles, ao fundo, segundo da esquerda para a direita, no banco do Furacão, no dia da estreia pelo profissional: Daniel Castellano/Arquivo/Gazeta do Povo
Salles, ao fundo, segundo da esquerda para a direita, no banco do Furacão, no dia da estreia pelo profissional: Daniel Castellano/Arquivo/Gazeta do Povo| DANIEL CASTELLANO/DANIEL CASTELLANO

O empréstimo ao desconhecido Olimpi Rustavi, da Geórgia, marcou a primeira escala. A equipe que havia recém-formalizado uma parceria com o Furacão já tinha levado, em julho de 2009, um pacotão do CT do Caju com o lateral-direito Gerônimo, o zagueiro Alex Fraga e os atacantes Anderson Aquino, Choco e Jonatas. Salles desembarcou pouco depois.

“Foi uma barca furadíssima, a pior experiência que tive fora do país”, crava.

Foram seis meses no antigo país soviético e nenhum minuto em campo – um desastre profissional para um jovem que trocou de continente para ganhar experiência e ritmo de jogo.

Vivência, contudo, o brasileiro teve: “Os caras paravam o ônibus toda hora para fumar e era só vodka durante as viagens. Nosso goleiro tinha uns 40 anos e tomava banho no vestiário com o cigarro na mão, coisa de louco”.

Além do tempo perdido, Eduardo Salles também conheceu a realidade dos salários atrasados, situação que enfrentaria outras vezes na sequência carreira.

“Fiquei seis meses lá e só recebi dois salários. Acionei a Fifa e o resultado da ação saiu em 2016. Na última vez que olhei, o valor da dívida estava em US$ 70 mil. Mas o clube sumiu, mudou de nome e até hoje não recebi nada”, conta.

Do frio da Geórgia, Salles passou para o calorão de Paranaguá, emprestado ao Rio Branco para a disputa do Estadual de 2011 – com outra temporada desperdiçada pelo caminho.

No ano anterior, bateu ponto para treinar no CT do Caju às terças e quintas, afastado do elenco principal. “Apareceram vários interessados, um deles o Sport, mas o Athletico não me liberou. Aí no ano seguinte a cereja do bolo foi jogar o Paranaense no Rio Branco", cita.

Para ganhar minutos no Leão da Estradinha, a condição foi assinar uma cláusula de pré-rescisão com o Furacão, com quem tinha vínculo até 2013. Se não atingisse determinadas metas, o contrato seria encerrado. “Eu, na minha inocência e vontade de jogar, assinei e fui. A gente se salvou na última rodada naquele ano em que o Paraná caiu. No fim do Paranaense rescindiram comigo e fui para o Joinville”.

No JEC, participou do grupo que conquistou o título da Série C, novamente sem minutos em campo. Na temporada seguinte, em 2012, uma rápida passagem pelo Marília, no Paulistão A3, antecedeu a segunda experiência internacional.

Da Tailândia à Bolívia

No futebol, sempre tem alguém que conhece uma pessoa que tem o contato de um empresário. Foi mais ou menos nesse esquema que o prata da casa do Athletico rumou para uma temporada na Tailândia em 2012.

O destino era o BBCU FC, que até dois anos antes era uma equipe universitária. Mas ao contrário da primeira experiência no exterior, a vida em Bangkok era boa, e Salles completou os dez meses de contrato sem contratempos, retornando no fim de 2013.

No entanto, o atacante se afastava cada vez mais dos principais mercados do futebol. Tanto que na volta passou a jogar Futebol 7, também conhecido como society, para manter a forma. Convocado para a seleção brasileira, foi campeão do Mundialito de Seleções contra a Itália, no Rio de Janeiro.

Ele ainda voltou para o campo naquele ano e disputou o Catarinense Série B pelo Concórdia e foi semifinalista do sul-matogrossense com o Ivinhema.

Em uma carreira sem rumo certo, outra surpresa surgiu em 2015. E foi da esperança ao início da jornada ao fundo do poço. “Foi um empresário chamado Roberto que me levou pra Bolívia, um brasileiro que morava do lado de lá da fronteira. É aquela história de um cara que conhece um cara que te conhece”, resume Salles.

A promessa era de um ano de contrato com o Blooming, da Primeira Divisão boliviana, por US$ 5 mil mensais. A realidade nada mais era do que um teste durante a pré-temporada do time de Santa Cruz de la Sierra.

“A oferta era maravilhosa. Realmente fazia jus ao risco. Quando cheguei ainda demorarei para perceber que não era nada daquilo. Fiquei um mês treinando, arrebentando. O time tinha uma boa estrutura, tudo do bom e do melhor”, conta.

“Depois fui sentar com os caras para assinar e me disseram que queriam ficar comigo, mas que não tinham vaga de estrangeiro. Dei aquela desanimada e fiquei com raiva do sem-vergonha que tinha me enganado”, prossegue.

Outra equipe boliviana soube da situação pela imprensa e foi atrás do atacante, também através de um empresário brasileiro baseado na região. O valor do salário no Sport Boys Warnes seria menor, de US$ 3 mil por mês, mas o tempo de contrato passaria para um ano e meio.

“A estrutura era a mínima possível, mas falei 'vamos lá'. Só que logo começaram a atrasar salários e o elenco fez greve, aquela coisa. Ficava sem treinar, morava em um condomínio com piscina, era churrasco, bebida toda hora. Chegava no domingo, na hora do jogo, ninguém conseguia correr”.

O time só entrou no rumo quando o ministro de governo e braço direito do presidente Evo Morales, Carlos Romero, assumiu as rédeas. A nova diretoria pagou parte dos vencimentos, contratou um treinador linha dura e o Warnes salvou-se do rebaixamento na rodada derradeira com o brasileiro como titular absoluto na meia-esquerda.

Após as férias, o clube fez a limpa no plantel, mudou o técnico e Edu fez um acordo para rescindir o contrato. “Peguei 60% do valor da dívida e vim embora”, recorda.

Decepção na Lituânia

Se a Geórgia serviu como péssimo cartão de visitas europeu, a passagem pela Lituânia teve reflexos mais profundos. “Essa história é boa porque começa dando cagada desde o início”, brinca Edu.

Já namorando com Juliana, sua atual esposa, o jogador recebeu o convite de um empresário para defender o FC Stumbras. A equipe havia sido comprada por um grupo de empresários e o técnico português Mariano Barreto acumulava poderes de diretor de futebol.

Arquivo pessoal
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No acordo, segundo Salles, o objetivo era passar uma temporada no futebol lituano e depois ser encaixado na liga portuguesa. Junto com ele, outros dois garotos mais novos, ainda amadores, viajaram com esperança de ficar no clube.

“Nosso voo fez escala na Alemanha e tivemos que passar pela imigração. Meu passaporte estava recheado de vistos, me olharam, não perguntaram nada e passei. Mas os meninos, que estavam com aqueles bonés de aba reta, coisa de boleiro, um deles com passaporte de emergência, foram parados. Eles não sabiam falar inglês e eu voltei para ajudá-los”, relembra.

A polícia percebeu a ausência de vistos de trabalho. Depois de quase um dia inteiro de espera, todos foram deportados ao Brasil. O trio ainda conseguiu chegar à Lituânia tempos depois, desta vez parando em Portugal no meio do caminho.

A confusão, entretanto, seria maior dentro do Stumbras. O acordo era que o salário de 3 mil euros mensais ficasse todo com o atacante. Quando a transferência para Portugal se concretizasse, uma fatia de 10% seria do empresário.

Arquivo pessoal
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“E aí quando deu o primeiro mês, o cara começou a ligar pedindo pra mandar algo pra eles. No mês seguinte aumentou a pedida e assim foi. Eu respondia que esse não era o combinado, que estava sem condições porque tinha contas para pagar. Não repassei nada”.

O brasileiro estava jogando como titular, marcando gols e seguiu assim até o fim do contrato. Pouco antes, o técnico o questionou sobre o problema com o empresário e perguntou se ele queria permanecer para a próxima temporada. Com o aceno positivo dado, partiu de férias para o Brasil no fim de 2016.

Por sorte, trouxe todos os seus pertences. “Quando desembarco no Rio, às 5 horas da manhã, minha esposa tinha me mandado um print do Facebook do clube com o anúncio de que eu não ficaria para o próximo ano. Não tiveram nem coragem de falar na minha frente. Aquilo me frustrou de tal maneira que eu não queria mais saber de futebol”, desabafa.

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