O Paraná Clube decidiu no começo do ano não treinar mais no CT Ninho da Gralha, espaço de 260 mil metros quadrados situado em Quatro Barras, que já não pertencia ao clube desde outubro de 2019, quando perdeu o imóvel na Justiça para o empresário e ex-“mecenas” Carlos Werner. Desde o início de 2026, o Tricolor concentra atividades na Vila Olímpica do Boqueirão.

Essa foi uma das primeiras atitudes da nova investidora NextPlay, que está com processo encaminhado para comprar a Sociedade Anônima de Futebol (SAF) paranista e trabalha no dia a dia do clube desde o início da temporada, assumindo o comando do futebol. Em campo, o Tricolor conquistou o acesso na Segunda Divisão do Estadual deste ano.

A decisão de deixar o Ninho foi forçada. Após uma série de penhoras, em outubro de 2019, o Paraná acabou perdendo definitivamente o espaço na Justiça para quitar dívidas com Werner, que fez uma série de empréstimos ao clube. O clube até seguiu no local por mais seis anos em um acordo com o ex-cartola, mas a história chegou ao fim neste ano.

Depois de oito meses da decisão de sair do local, inaugurado em 2008 como sonho de futuro, o Tricolor encerrou de vez a sua ligação com o Ninho na última quinta-feira (13). E de forma melancólica.

No mesmo dia em que a reportagem do UmDois esteve no centro de treinamento, um pequeno caminhão retirava da sala de imprensa as derradeiras peças da estrutura da era Paraná Clube. Os banners e a mesa de entrevistas serão realocados na Vila Olímpica.

Os funcionários ainda levaram embora do ex-centro de treinamento um troféu que estava esquecido no hotel. Era a taça recebida pela vitória no amistoso realizado durante a parada para a Copa do Mundo de 2018 por 2 a 0 sobre o River Plate, do Uruguai, na Vila Capanema.

A partida serviu como preparação para a volta da Série A do Campeonato Brasileiro e teve menos de dois mil torcedores que enfrentaram o frio de Curitiba. Apesar da vitória, o trabalho do técnico Rogério Micale durou apenas mais seis rodadas e o Tricolor terminou o ano rebaixado para a Série B.

O amistoso quase nunca lembrado, no entanto, é a última lembrança do Paraná Clube contra um adversário internacional.

Troféu de amistoso e futmesa foram alguns dos itens levados embora pelo Paraná. (Foto: Pedro Melo/UmDois Esportes)

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Gestão do Ninho da Gralha se surpreendeu com o Paraná Clube

A decisão do Paraná Clube em sair do Ninho da Gralha pegou de surpresa a gestão do local. Todo o planejamento tinha sido feito para receber o elenco e a comissão técnica paranista ainda no início de janeiro.

Ninho da Gralha vive nova realidade sem o Paraná e com o dono Carlos Werner. Foto: Montagem com Divulgação/Paraná Clube e Arquivo/UmDois

“Recebemos no último dia. Tinhamos nos preparado, os funcionários da portaria, da grama, da cozinha, da lavandeira e de hotel. Quando recebemos, ficamos impactados. A partir dali, não teríamos o trabalho do outro ano. Já tinha dado certo, tínhamos nos organizados com férias. Não recebemos a notícia muito felizes”, afirmou Ananias Júnior, gestor do Ninho da Gralha, em entrevista ao UmDois Esportes.

“Havia uma proposta de estarem vindo para cá, já tinham vindo para ver como estavam as camas e a parte que utilizamos da lavanderia. Foi um impacto para nós. Você se reinventar naquilo que iria trabalhar nos próximos três meses”, complementou Júnior.

Quando entrou em acordo para comprar a SAF do Paraná Clube, em dezembro do ano passado, o CEO da NextPlay, Pedro Weber, antecipou que a Vila Olímpica seria a nova casa paranista.

Desde janeiro, a Vila Olímpica recebeu diversos investimentos com a reestruturação completa da academia, que foi modernizada com novos equipamentos para atender melhor os jogadores. Já no campo, o gramado recebeu um sistema de irrigação automática, fato elogiado pelo técnico Tcheco durante a instalação ainda na primeira quinzena de janeiro.

Em abril, o Paraná Clube fechou uma parceria com o São Joseense e melhorou a infraestrutura para receber partidas profissionais. O local está com todos os laudos exigidos pelos órgãos competentes, incluindo Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Polícia Militar e Federação Paranaense de Futebol, em dia.

Com todas as novidades na infraestrutura, o Tricolor estuda a possibilidade de jogar novamente uma partida profissional em seu tradicional estádio durante a Copa Paraná.

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