Eram 18h49 desse sábado (30) quando o goleiro Felipe atendia os últimos fãs que aguardavam por uma foto na divisória entre o gramado e arquibancada da Vila Capanema.

Trinta e quatro minutos antes, o veterano de 38 anos – quase 20 deles no futebol profissional – vivia um dos momentos mais intensos de sua carreira. "Top 3 de emoções", como ele mesmo definiu.

Ao defender o pênalti cobrado por Léo Itaperuna, do Cascavel, pulando para o canto esquerdo, garantiu o Paraná nas oitavas de final da Série D e manteve a esperança por dias melhores no clube.

A partir daquele instante, Felipe começou a correr sem direção, comemorando e extravasando uma pressão absurda que estava sob seus ombros minutos antes. O Tricolor seria eliminado caso Gama convertesse a penalidade para a Serpente.

O trabalho de quatro meses estava em jogo. E a responsabilidade estava justamente do nome mais experiente do elenco comandado por Omar Feitosa.

"Dei a vida ali. Se não pegasse, iria acabar...", recorda o arqueiro, que tem dito aos companheiros que o Paraná só tem uma flecha na busca por calendário nacional em 2023 – e não pode errar.

A intensidade do momento foi tão grande que Felipe caiu durante o pique e simplesmente desmaiou. "Apaguei uns 20 segundos com o Franklin [zagueiro] me abraçando. Cansei mais na corrida do que no jogo. Foi uma mistura de emoções, satisfação, extravasar, saber que desde a minha chegada tinha gente contra, até dentro do clube. Ouvir 12 mil, 13 mil pessoas gritando seu nome é gratificante demais', contou o camisa 1, ex-Corinthians e Flamengo.

A conexão do goleiro com a torcida tem sido especial. A atenção ao público mais de meia-hora depois do final épico no Durival Britto e Silva mostra que o carinho é mútuo.

Felipe comemora com a torcida paranista.
Felipe comemora com a torcida paranista.| Átila Alberti/UmDois Esportes

"Acho que eles não precisam me agradecer, eu que preciso, por todo carinho que recebi desde que cheguei. Eles acreditaram no meu trabalho", diz Felipe, que jogou no Kisvárda, da Hungria, Uberlândia-MG, Botafogo-PB e Taubaté-SP nos últimas temporada antes de chegar ao Paraná, no fim de março.

"Sempre falo que desde minha apresentação muitos falavam que eu já estava acabado para o futebol, que não prestava mais, que vim a passeio. Eu vim para ajudar o Paraná e estou conseguindo fazer isso até agora. Mas temos que continuar trabalhando mais forte. Só demos um passo, não foi o acesso ainda".

Participe da conversa!
0