O goleiro Bruno Grassi, do Paraná, explicou a situação dramática que atravessa o elenco após a vitória sobre o Criciúma, que manteve o clube com chance de permanência na Série C. Como forma de protesto, os atletas do Tricolor entraram em campo atrasados para a partida na Vila Capanema.

Líder do elenco, o goleiro de 34 anos explicou a situação. Em tom de desabafo, ele implorou para que a diretoria pague pelo menos algum valor dos salários atrasados.

"A nova diretoria está se esforçando. Eles estão presentes, mas têm os resíduos do que ficou para trás. Eu mesmo recebi um salário completo desde que cheguei aqui. São três meses sem receber nenhum salário. Outros jogadores na mesma situação. E por isso a gente pede que a diretoria nos ajude. A gente tem força para brigar até o final. Que eles venham a quitar uma parte dos atrasados. A gente precisa que essa semana, no mínimo, alguma coisa seja paga porque tem gente que não tem nem o que comer", desabafou Bruno Grassi.

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O goleiro disse que o elenco ficou constrangido pelo protesto e que os atletas vão entrar em campo. Questionado se os jogadores podem fazer novos protestos ao longo da semana, Grassi prefere acreditar no pagamento de parte dos salários.

A crise financeira atinge em cheio o Paraná. Além dos atletas, funcionários também estão sem receber. Por isso, a posse do presidente eleito, Rubão, foi antecipada de dezembro para 14 de setembro.

"É uma situação incômoda. Ninguém gosta de protestar, não concentrar. Mas as situações passaram do limite. A gente não tem um norte. Esse é o problema. Até quinta-feira a gente tinha uma posição, aí não foi concretizada. É um grupo de 26 atletas, cada um tem a sua necessidade. E a gente sempre abre votação para ver qual é a melhor decisão. A torcida do Paraná, a organizada, a Fúria Independente nos ajudou muito na cobrança com a diretoria e até em subsidiar premiações para nós. Esperamos uma semana tranquila de trabalho e que a gente possa receber o nosso salário", concluiu Grassi.

Por fim, o goleiro admitiu que os salários atrasados influenciaram na campanha do time na Série C. Restando três jogos, o Tricolor está na zona do rebaixamento, três pontos atrás do Mirassol, justamente o adversário da próxima rodada.

"Quando você para um clube e se organiza com que vai receber, você tem conta para pagar. E se você não paga as contas, você recebe cobranças. E com certeza isso tudo influencia. Mas quando a gente chega no vestiário com muita força, nós pensamos que é o nosso rosto que está representando o Paraná. Então, nós somos os responsáveis por qualquer coisa negativa do clube. Mas com certeza influencia, não por uma questão direta, mas indireta", finalizou o goleiro.

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