A proximidade da NextPlay, empresa que pertence à holding brasileira Chenus, de concretizar a compra da SAF do Paraná Clube passa por uma combinação de fatores que vai além da tradição do Tricolor no futebol brasileiro. Segundo Gustavo Magalhães, sócio-fundador da Chenus, o tamanho da torcida, o potencial de exploração do patrimônio do clube e a possibilidade de criar novas fontes de receita foram determinantes para a escolha do Paraná.

Em entrevista ao canal Times Brasil, especializado em negócios, o executivo classificou o Tricolor como uma “oportunidade espetacular” e destacou o peso histórico do clube no futebol brasileiro. Para ele, o momento desafiador vivido pelo Paraná também abriu espaço para a chegada de investidores e para a construção de um projeto de retomada.

“O Paraná é um estado importante, Curitiba é uma cidade muito importante, o Paraná Clube é um dos três grandes clubes da cidade e do estado e era exatamente isso que nós estávamos procurando”, afirmou.

Torcida e patrimônio do Paraná Clube pesaram na escolha

Um dos pontos que mais chamou a atenção do grupo, segundo o executivo, foi o engajamento da torcida paranista. Magalhães afirmou que o comprometimento dos torcedores foi percebido rapidamente e passou a ser considerado um ativo importante para o projeto.

Outro fator destacado foi o patrimônio imobiliário do Paraná Clube. Na avaliação do investidor, os espaços do Tricolor podem ser utilizados não apenas para atividades relacionadas ao futebol, mas também para outros eventos de entretenimento.

A ideia é explorar o potencial dos locais para a realização de shows, grandes eventos, seminários e outras atividades, criando novas fontes de receita para o clube.

Torcida do Paraná Clube no jogo do acesso. (Foto: Thiago Silvério/Paraná Clube)

“Você consegue adicionar as receitas que vêm da operação propriamente do futebol com outras atividades de entretenimento, como shows, como grandes eventos, seminários e uma série de outras atividades que trazem também uma receita perene para a operação”, explicou.

A intenção é ampliar as fontes de arrecadação para aumentar a capacidade de investimento no elenco e na estrutura do clube.

SAF do Paraná terá busca por competitividade, mas sem “loucura”

Magalhães também falou sobre a estratégia esportiva que pretende implementar quando a negociação seja concluída. Segundo ele, o objetivo será fazer com que o Paraná tenha equipes competitivas em todas as competições, mas sem entrar em uma corrida desenfreada por contratações e salários.

O executivo avaliou que existe atualmente um problema estrutural no futebol brasileiro: os custos da operação estão crescendo em velocidade superior à das receitas. Por isso, na visão dele, aumentar o faturamento é fundamental para que o clube possa investir mais no futebol de forma sustentável.

“Você tem que buscar receitas também em áreas não relacionadas diretamente ao futebol para ajudar e dar apoio para que você tenha uma receita suficiente para que consiga fazer investimento no futebol e ter sucesso”, afirmou.

Elenco do Paraná Clube para a Copa Paraná. (Foto: Thiago Silvério/Paraná Clube)

A preocupação é evitar um cenário em que grandes investimentos sejam feitos de maneira acelerada, criando uma expectativa de títulos imediatos e uma estrutura de despesas que não possa ser sustentada no longo prazo.

Para o investidor, o Paraná precisa crescer de forma progressiva, com uma estrutura técnica e estratégica capaz de tornar o time competitivo sem comprometer a saúde financeira da operação.

“O que a gente pretende com a finalização desse processo é estar sempre colocado de uma maneira onde o Paraná será competitivo em todas as competições que vier a participar, mas dentro de um critério onde as coisas caminham de acordo.”

Confira a entrevista completa com o executivo

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