Revelado pelo Paraná Clube, o ex-meia Giuliano começou a preparar a própria aposentadoria cinco anos antes de anunciar o fim da carreira. Aos 31 anos, o então jogador passou a planejar cedo a transição para a vida longe dos gramados, algo incomum no cenário do futebol brasileiro.

Giuliano encerrou oficialmente a trajetória como atleta em setembro deste ano, aos 36 anos, meses após deixar o Athletico. Em entrevista ao Esporte Record, ele explicou que a decisão não foi repentina e revelou ter se preparado durante os últimos anos para enfrentar uma mudança que considera especialmente difícil no futebol brasileiro.

O antigo camisa 10 também criticou a falta de estrutura oferecida aos jogadores para o período posterior à aposentadoria. Na avaliação do ex-paranista, muitos atletas dedicam toda a juventude ao esporte sem receber orientação para construir uma nova profissão ou administrar a vida quando deixam de jogar.

O atleta acha que ele é somente jogador, mas essa fase uma hora acaba e ele precisa ser alguém, construir algo e ter uma profissão porque essa vida acaba muito cedo.
Giuliano – ex-jogador de futebol

Giuliano prepara novo projeto após aposentadoria

Mesmo fora dos gramados, Giuliano pretende continuar ligado ao esporte. O ex-jogador trabalha na criação de um projeto em parceria com empresas para ajudar atletas a planejarem a carreira e a vida depois do futebol.

Giuliano comemora gol pelo Athletico durante partida
Giuliano comemora gol com a camisa do Athletico durante partida pelo clube. Foto: Hedeson Alves/AGIF/Sipa USA/IconSport.

A proposta é oferecer aos jogadores um suporte que, segundo ele, ainda é pouco desenvolvido no Brasil. O trabalho terá como foco especialmente os atletas mais jovens, para que a preparação profissional e financeira não comece somente quando a aposentadoria estiver próxima.

A experiência pessoal será utilizada como exemplo. Ao iniciar o planejamento aos 31 anos, Giuliano teve cinco anos para organizar seus próximos passos antes de comunicar oficialmente o encerramento da carreira.

“Eu tenho uma filha de 12 anos. Hoje eu tenho a oportunidade de estar com ela nos finais de semana, organizar a minha agenda e passar o Dia dos Pais junto com a família, coisa que eu não podia porque o futebol te tira isso”, contou o agora ex-atleta.

Cria do Paraná construiu carreira internacional

Natural de Curitiba, Giuliano foi formado nas categorias de base do Paraná Clube e estreou profissionalmente em 2007. Mesmo muito jovem, ganhou espaço na equipe e tornou-se uma das principais revelações do Tricolor naquele período.

O desempenho na Vila Capanema levou o meia ao Internacional. No clube gaúcho, conquistou a Libertadores de 2010 e foi decisivo na campanha continental antes de seguir para o futebol europeu.

Giuliano pendura as chuteiras: a última grande revelação do Tricolor. Foto: Montagem com Arquivo

Giuliano defendeu Dnipro, da Ucrânia, Zenit, da Rússia, Fenerbahçe e Istanbul Basaksehir, da Turquia. Também atuou pelo Al-Nassr, da Arábia Saudita, além de ter recebido oportunidades na seleção brasileira.

No futebol nacional, vestiu ainda as camisas de Grêmio, Corinthians e Santos. Apesar da trajetória construída longe de Curitiba, o jogador nunca escondeu a ligação com o clube que o revelou e lamentou publicamente o rebaixamento do Paraná no Campeonato Paranaense de 2025.

Athletico foi o último clube da carreira

A última equipe defendida por Giuliano foi o Athletico. Contratado no início de 2025 para a disputa da Série B, o meia entrou em campo 23 vezes e marcou três gols pelo Furacão. Números modestos que simbolizam uma passagem apagada.

Depois de receber oportunidades no começo da temporada, ele perdeu espaço e não foi utilizado na reta final da campanha que terminou com o acesso à Série A. O vínculo foi encerrado em janeiro de 2026, e o jogador ficou livre no mercado. Sem assinar com outro clube, Giuliano anunciou a aposentadoria em setembro.

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