O Conselho Deliberativo do Paraná aprovou, na noite da última terça-feira (1), a parceria com a empresa FDA Sports, conforme antecipado pelo UmDois. Antes, a proposta de parceria já havia sido aprovada pelo Conselho Consultivo.

Para ser sacramentado, entretanto, o acordo ainda precisa de um aval da Justiça do Trabalho, de acordo com o Ato Trabalhista, acordo que contingencia as receitas do clube para quitar o passivo com ex-funcionários e parceiros. O acordo também deve passar pelo crivo do jurídico paranista.

A proposta prevê investimento de R$ 2,9 milhões até dezembro deste ano, parcelados mensalmente, com uma parcela separada para o 13º salário dos atletas.

Para 2022, o acordo prevê investimento mensal de R$ 375 mil, caso o Paraná permaneça na Série C ou caia para a Série D. Em caso de acesso para a Série B, este valor subiria para R$ 550 mil mensais.

Em contrapartida, a FDA quer 70% dos direitos econômicos de 6 atletas do Paraná, escolhidos pela empresa, para reaver o dinheiro investido em futuras negociações.

Bastidores da reunião

Em reunião virtual, a proposta da FDA foi trazida pelo presidente temporário, Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, e contou também com a presença de Ocimar Bolicenho, responsável por um comitê que cuida do futebol profissional do Paraná.

Apenas 11 conselheiros votaram contra. Cerca de cem conselheiros votaram a favor. O debate se estendeu até 1h30 da manhã.

Direitos econômicos

Um dos principais pontos levantados por conselheiros contrários foi a questão da contrapartida exigida pela FDA, que quer 70% dos direitos econômicos de 6 atletas do Paraná, escolhidos pela empresa.

Isto porque desde 2015 a Fifa proibiu que empresários e agentes de futebol detivessem direitos econômicos de atletas. Ou seja, na prática, é proibido que a FDA Sports tenha participação em direitos econômicos de jogadores do Tricolor, situação que poderia render sanções da Fifa.

Com funcionariam as indicações de jogadores?

O Paraná já tem um elenco formado para a Série C deste ano. Desta maneira, a FDA indicaria cerca de oito atletas para reforçar o time do técnico Maurílio. Os reforços, por sua vez, seriam analisados pelo Tricolor antes do negócio ser fechado.

Histórico na Paraíba

Empresário Fagner da Silva, à esquerda, fecha acordo com Campinense. Foto: Divulgação/Campinense
Empresário Fagner da Silva, à esquerda, fecha acordo com Campinense. Foto: Divulgação/Campinense

Em 2020, a FDA fechou parceria com o Campinense, da Paraíba, que disputou a Série D. No clube paraibano, entretanto, a empresa terceirizou o departamento de futebol, com autonomia de gestão.

No total, foram mais de 80 jogadores contratados, além de 7 treinadores diferentes, segundo a imprensa paraibaba. A campanha da Campinense foi um fracasso. A equipe somou somente 15 pontos na primeira fase, ficando na antepenúltima colocação de seu grupo.

Com histórico apenas na Paraíba, a empresa é pouco conhecida no meio do futebol brasileiro.

Quem é a FDA Sports?

A FDA Sports atualmente mantém uma parceria com o Nacional de Patos, também da Paraíba, que disputa a Série D. Fundada em 2016, tem sede em Caruaru, Pernambuco, sendo gerida pelo empresário Fagner Marcos da Silva. Procurado, o empresário não atendeu à reportagem.

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