O paranaense Alex de Souza, do Athletic, foi uma das vítimas do esquema de licenças falsas de treinador de futebol revelado nessa quarta-feira (7) pela repórter Joanna de Assis, do Uol.

No golpe aplicado pelo ex-volante de Flamengo e Palmeiras, Alejandro Mancuso, ex-atletas pagavam R$ 100 mil por um suposto diploma da ATFA, tradicional escola argentina de técnicos e uma das mais respeitadas da América do Sul. A promessa era de que, com o título, fosse possível trabalhar em qualquer lugar do mundo, já que o pacote possuía quatro tipo de licenças: Pro (de nível internacional), A (futebol profissional), B e C (categorias de base).

Segundo áudios obtidos pela reportagem, Mancuso ressaltava que, no caso de ex-jogadores reconhecidos, não seria preciso perder tempo com os cursos online da AFTA para obter as licenças. O tempo mínimo para completar todos os cursos, que é de três anos, não representaria um empecilho para as obtenção da certificação em tempo recorde.

Alex confessou ao Uol que errou ao comprar as licenças. O diploma falso, aliás, veio com erro de digitação: técnico de futsal, não de futebol. Ele ressaltou, contudo, que nunca se beneficiou do diploma nem tentou homologá-lo. Aliás, o treinador tem formação completa na CBF Academy.

Ele [Mancuso] dizia que tinha uma forma de arranjar as licenças argentinas. Ele garantiu que só era necessário um processo online e, em pouco tempo, enviaria os documentos. Eu cheguei a preencher uma papelada que ele me enviou, e aí ele me mandou os certificados pelo correio. E foi um erro, que acredito que tenha sido o erro da maioria, e eu assumo. Era para comprar facilidade, mas eu nunca usei.
– Alex de Souza, técnico do Athletic

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do treinador, mas a resposta foi que o posicionamento sobre o tema já foi dado na entrevista ao Uol e que o treinador não falaria mais sobre a situação.

Além de Alex, como conhecidos como o do zagueiro Thiago Silva, do Fluminense, Roberto Carlos (acionista da Inter de Limeira), e Felipe Melo, comentarista da Globo, Paulinho, dirigente do Cruzeiro, também foram prejudicados. O uruguaio Diego Lugano e o peruano Paolo Guerrero também foram enganados.

Mancuso nega esquema e vendas de licenças

O UOL pediu para que uma fonte conversasse com Mancuso, que fez as ofertas das licenças normalmente. Contudo, ao receber o contato oficial da imprensa, negou qualquer esquema.

“Muitos brasileiros me ligam. Por quê? Porque eu sou um cara muito conhecido no Brasil, sabe? E eles me perguntam como é que a gente faz, como é que dá um jeito. Eu passo o contato da federação para que eles liguem direto. Eu não estou na federação, eu não sou parte da federação”, disse Mancuso ao UOL.

Ao ser confrontado sobre os recebimentos de R$ 100 mil pelas licenças, ele também negou. “Não, isso não existe”, encerrou.

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