Não teve drama. O Maringá garantiu neste sábado (10), no Willie Davids, o tão sonhado e planejado acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro. O Dogão, que poderia até perder por um gol para subir, bateu o Floresta-CE por 2 a 0, concretizando previsão feita sete anos atrás, ainda em 2020, quando o projeto de profissionalização do clube iniciou para valer.
E o cenário ficou ainda melhor: a equipe da Cidade Canção garantiu seu lugar na grande decisão da Série C, já que o Santa Cruz perdeu do já eliminado Botafogo-PB também neste sábado. O adversário sai do Grupo B, que ainda não teve os jogos finalizados por falta de segurança no estádio de Brusque x Paysandu.
O atacante Ronald Camarão, em chutaço de longa distância, e o meia Paulinho, em cobrança de falta por baixo, fizeram os gols da classificação dos paranaenses, que terminaram a segunda fase da competição na segunda colocação, com 11 pontos, superando o time pernambucano no saldo de gols (4 contra 2).
Jogando a Terceira Divisão pela segunda vez, o Maringá foi o quarto colocado na primeira fase, com 30 pontos em 19 partidas, com oito vitórias, seis empates e cinco derrotas. A vaga, no entanto, foi garantida com muita emoção, já que o clube começou a última rodada fora do G8, na décima colocação. Ivan Campanari, auxiliar fixo da comissão técnica, assumiu o cargo faltando apenas três partidas e conseguiu conduzir reagrupar o elenco e alcançar um improvável acesso.
Veja os times que subiram da Série C para a Série B
- Grupo A: Maringá e Santa Cruz
- Grupo B: Ainda indefinido
Maringá funciona como SAF cooperativa
O Maringá funciona como uma SAF “cooperativa”. São 27 acionistas e nenhum deles tem mais do que 6% das ações. Todos são empresários da região que acreditam no plano de desenvolver o clube passo a passo, fase a fase, e já colocaram cerca de R$ 30 milhões no Maringá.
No início do ano, todos sabem o quanto terão de aportar para que o clube possa pagar todas as contas. O déficit orçado para 2026, por exemplo, é de R$ 7 milhões. A expectativa é de que com a consolidação na Segunda Divisão, o clube tenha capacidade de começar a gerar lucro.
E mesmo no estágio atual, já houve interesse de compra por outros grupos. Nada avançou por que a intenção é fechar um “negócio grande”, diz o presidente, que revela que há duas conversas em andamento.
“Fala-se que um time de Série B vale entre R$ 100 e R$ 120 milhões. Nós estamos criando o Maringá para a longevidade, organizando. Pensando em torná-lo superavitário um dia. Ainda estamos longe”, admite Mazzer.
Projeto para a Série B
Com o acesso garantido, a ideia do Maringá é de se estabelecer na Segunda Divisão, ao mesmo tempo em que buscará aumentar suas fontes de receita, hoje liderada por patrocínios. Neste ano, por exemplo, Dogão conseguiu arrecadar R$ 6,350 milhões dessa forma, número alto para o patamar da Série C. A revelação e venda de jogadores é também crucial – o caso de Rômulo, ex-Athletico, é de maior sucesso e rendeu R$ 9,6 milhões no ano passado.
Somente jogar a competição já representaria um incremento superior a 14 vezes ao valor recebido para disputar a Terceirona, que bateu a casa de cerca de R$ 1,8 milhão chegando à fase final.
A realidade é brigar para não cair nos primeiros dois anos e depois se estabelecer na parte de cima da tabela. Neste ano, pagaram R$ 15 milhões para jogar a Série B. A competição seria uma oportunidade de escalarmos tudo o que criamos, plano de sócios, lojas próprias, fortalecer a base de torcedores. Quem sabe não chegamos a disputar uma Série A do Brasileirão a cada cinco anos? Sem dívidas, nosso dinheiro todo iria para o futebol. Nosso espelho é o Mirassol, o Criciúma, a Chapecoense. E Maringá tem uma população maior do que todos eles.
– João Victor Mazzer, presidente do Maringá, em entrevista ao UmDois Esportes