Em 2020, quando ainda disputava a segunda divisão do Campeonato Paranaense, o Maringá estabeleceu metas de crescimento ousadas. Primeiro, conseguiu acesso à elite do Estadual naquela mesma temporada. Em 2023, já como SAF, disputou pela primeira vez a Série D e também a Copa do Brasil. Dois anos depois, mudou de patamar e estreou na Série C. Agora, está a um passo de garantir a vaga na próxima edição da Série B.
Neste sábado (9), à 17h, o Dogão recebe o Floresta-CE, no Willie Davids, para confirmar mais um objetivo dentro do prazo. Até mesmo com uma derrota simples (um gol de diferença), a equipe da Cidade Canção chegará à segunda prateleira do futebol nacional. Seria mais um passo para a consolidação de um projeto profissional que afasta o imediatismo de seu dicionário.
Acreditamos no longo prazo. No ano passado, jogamos a Série C contra uma Ponte Preta que não iria pagar os salários, mas que tinha uma folha três vezes maior do que a nossa. Aí vimos eles subirem e a gente não. É dura essa realidade, mas no longo prazo o trabalho sério compensa.
– João Victor Mazzer, presidente do Maringá, em entrevista ao UmDois Esportes
Na última da Série C, em julho, Mazzer precisou ir às redes sociais gravar um vídeo para acalmar os ânimos dos torcedores por causa de uma série de oito jogos sem vitória. A cobrança por mudanças estava intensa, mas ele fez questão de indicar que não havia atalho para se chegar ao destino esperado.
“É muito trabalho, conversa, análises, decisões. Nós vamos virar esse jogo… o projeto do Maringá FC é sério, tem governança, metas, estratégia e responsabilidade”, cravou o dirigente, que começou como diretor de marketing e lidera o projeto do Dogão há sete anos e que vive a expectativa da concretização da maior façanha.
Como funciona a SAF do Maringá?
O Maringá funciona como uma SAF “cooperativa”. São 27 acionistas e nenhum deles tem mais do que 6% das ações. Todos são empresários da região que acreditam no plano de desenvolver o clube passo a passo, fase a fase, e já colocaram cerca de R$ 30 milhões no Maringá
No início do ano, todos sabem o quanto terão de aportar para que o clube possa pagar todas as contas. O déficit orçado para 2026, por exemplo, é de de R$ 7 milhões. A expectativa é de que com a consolidação na Segunda Divisão, o clube tenha capacidade de começar a gerar lucro.
E mesmo no estágio atual, já houve interesse de compra por outros grupos. Nada avançou por que a intenção é fechar um “negócio grande”, diz o presidente, que revela que há duas conversas em andamento.
“Fala-se que um time de Série B vale entre R$ 100 e R$ 120 milhões. Nós estamos criando o Maringá para a longevidade, organizando. Pensando em torná-lo superavitário um dia. Ainda estamos longe”, admite Mazzer.
Consolidação na Série B
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Caso o acesso se concretize, a ideia do Maringá é de se estabelecer na Segunda Divisão, ao mesmo tempo em que buscaria aumentar suas fontes de receita, hoje liderada por patrocínios.
Neste ano, por exemplo, Dogão conseguiu arrecadar R$ 6,350 milhões dessa forma, número alto para o patamar da Série C. A revelação e venda de jogadores é também crucial – o caso de Rômulo, ex-Athletico, é de maior sucesso e rendeu R$ 9,6 milhões no ano passado.
Somente jogar a competição já representaria um incremento superior a 14 vezes ao valor recebido para disputar a Terceirona, que bateu a casa de cerca de R$ 1,8 milhão chegando à fase final.
A realidade é brigar para não cair nos primeiros dois anos e depois se estabelecer na parte de cima da tabela. Neste ano, pagaram R$ 15 milhões para jogar a Série B. A competição seria uma oportunidade de escalarmos tudo o que criamos, plano de sócios, lojas próprias, fortalecer a base de torcedores. Quem sabe não chegamos a disputar uma Série A do Brasileirão a cada cinco anos? Sem dívidas, nosso dinheiro todo iria para o futebol. Nosso espelho é o Mirassol, o Criciúma, a Chapecoense. E Maringá tem uma população maior do que todos eles.
– João Victor Mazzer, presidente do Maringá, em entrevista ao UmDois Esportes