Afastado por 30 dias, após ser denunciado por uma funcionária de assédio sexual e moral, Rogério Caboclo não é uma exceção de presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) envolvidos em escândalos e que cometeram delitos. A linhagem vem de anos e três dos últimos quatro ex-presidentes da CBF deixaram os cargos após denúncias: Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, todos acusados de corrupção e banidos do futebol.

Além disso, se não voltar ao poder após o período de afastamento, Caboclo pode ser o terceiro dos últimos quatro presidentes da entidade a ter o mandato interrompido - José Maria Marin conseguiu terminar os quatro anos no cargo, mas acabou preso posteriormente.

Coronel Nunes, que assumirá o comando da CBF nesses 30 dias de ausência de Caboclo, também foi interino entre 2017 e 2019, após a suspensão de Marco Polo Del Nero. Há mais de 30 anos também existem influências dos antigos presidentes nas escolhas dos sucessores.

Confira a situação dos últimos três presidentes da CBF que foram afastados por corrupção e banidos das atividades que envolvam futebol:

Marco Polo Del Nero (2015 a 2017)

O ex-presidente está banido do futebol desde 2018 pela Fifa depois de escândalos de corrupção no comando do futebol brasileiro ao, de acordo com investigações, ter recebido propinas em troca de contratos comerciais com a CBF. Aos 80 anos, Del Nero é aliado de Caboclo e teria ajudado o então presidente afastado a se eleger.

Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF
Marco Polo Del Nero esteve envolvido no "Fifagate"| Lucas Figueiredo/CBF

Até hoje, Del Nero tem influência na gestão da entidade e tenta reverter a punição que o tirou da presidência e de qualquer atividade relacionada ao esporte. O ex-presidente nunca mais saiu do Brasil com medo de uma eventual detenção depois de ter sido citado no escândalo conhecido como "Fifagate". Ele tinha vínculo direto com José Maria Marin seu antecessor.

José Maria Marin (2012 a 2015)

Aos 88 anos, José Maria Marin cumpre prisão de quatro anos depois de ser condenado pela justiça americana por seis crimes, entre eles organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Os delitos aconteceram em esquemas milionários pagos por empresas de marketing esportivo a dirigentes em troca dos direitos de transmissão e de promoções de campeonatos, como Copa América, Libertadores e Copa do Brasil, cometidos no período em que Marin foi presidente da entidade.

Marin foi pego no escândalo de corrupção no futebol, o "Fifagate", que levou à queda do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e outros dirigentes internacionais, depois de uma operação surpresa em um hotel na Suíça, em 2015, feita pelo FBI. Marin ficou preso por seis meses em Zurique, depois foi transferido para os Estados Unidos, onde ficou em prisão domiciliar. Ele retornou ao Brasil no ano passado por conta da pandemia de Covid-19 e da idade.

Ricardo Teixeira (1989 a 2012)

Assim como seus sucessores, Ricardo Teixeira, 73 anos, também foi banido do futebol pela Fifa depois de ser acusado de receber propinas de mais de R$ 30 milhões de reais, provenientes de contratos pela venda dos direitos de competições sul-americanas, em 2019.

Além disso, Teixeira também teria sido acusado de receber subornos para votar no Catar como sede da Copa do Mundo de 2022, segundo um documento da justiça americana, e participação em um esquema de desvio de dinheiro durante amistosos da seleção brasileira, segundo a justiça da Espanha.

Teixeira mora no Brasil e, com os julgamentos em andamento na Justiça da Espanha e dos Estados Unidos, não pode deixar o território nacional.

Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF
Ricardo Teixeira ficou 23 anos no poder da CBF| Valterci Santos/Arquivo/Gazeta do Povo

Teixeira comandou a CBF por 23 anos, mas renunciou ao cargo em 2012, depois de ver seu nome envolvido em diversas denúncias de corrupção, como fraudes no contrato entre CBF e a patrocinadora Nike, e após perder apoio do governo federal, na época da presidente Dilma Rousseff.

O ex-presidente alegou problemas de saúde para ceder o cargo. Ricardo Teixeira chegou ao cargo máximo do futebol por influência o seu ex-sogro João Havelange.

João Havelange (1958 a 1975)

Indo mais longe, podemos relembrar a história de João Havelange. Ele foi um dos maiores cartolas da história do futebol, com grande influência no crescimento midiático do esporte no mundo.

No entanto, também conviveu com denúncias de corrupção, principalmente no fim da vida, depois do ingresso do seu genro Ricardo Teixeira ao comando da CBF. Havelange faleceu em agosto de 2016 aos 100 anos.

João Havelange foi presidente da Fifa entre 1974 e 1998, tendo organizando seis Copas do Mundo neste período. Também foi presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) - atual CBF - de 11 de janeiro de 1958 a 10 de janeiro de 1975.

Com grande influência internacional, Havelange também foi eleito para o Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1963, onde ficou mais quarenta anos e era um dos dois únicos brasileiros membros da entidade.

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