Apesar das promessas de uma nova era com o advento das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no cenário nacional, as dívidas dos clubes brasileiros bateram um novo recorde em dezembro de 2025. E isso inclui uma série de SAFs brasileiras com passivos milionários.
No total, o valor devidos pelos 20 principais clubes do Brasil atingiu o montante recorde de R$ 16 bilhões no final da temporada passada, de acordo com dados publicados nos balanços oficiais e agrupados em levantamento da empresa especializada Sports Value.
Enquanto o Corinthians lidera o ranking de dívidas do futebol brasileiro, devendo R$ 2,44 bilhões, três SAFs aparecem no top 5 dos clubes mais endividados do país: Atlético-MG, Botafogo e Cruzeiro. Confira a seguir os cinco maiores endividamentos do país.
- Corinthians: R$ 2,44 bilhões
- Atlético-MG (SAF): R$ 2,29 bilhões
- Botafogo (SAF): R$ 1,57 bilhões
- Cruzeiro (SAF): R$ 1,15 bilhão
- Palmeiras: R$ R$ 1,14 bilhão
Prejuízos acumulados de 6 SAFs somam R$ 3,3 bilhões
O estudo ainda critica o atual modelo de gestão adotado pelas principais SAFs brasileiras. “As SAFs seguem exatamente o modelo dos ‘novos ricos’ da Europa, injetando recursos externos para alavancar os times”, destaca o levantamento da Sports Value.
“Os prejuízos são elevadíssimos, considerando que as SAFs viriam para trazer um modelo corporativo para o futebol brasileiro”, prossegue o texto. Os números são alarmantes. Considerando o acumulado dos últimos quatro anos, os prejuízos acumulados de 6 SAFs somam quase R$ 3,3 bilhões.
Considerando este recorde, apenas a SAF do Vasco fechou o balanço financeiro de 2025 com lucro, no caso, de R$ 81,2 milhões.
Prejuízos das SAFs em 2025: R$ 1,47 bilhão
- Atlético-MG: R$ 882,1 milhões
- Botafogo: R$ 290,9 milhões
- Bahia: R$ 154, 6 milhões
- Cruzeiro: R$ 114,9 milhões
- Coritiba: R$ 114 milhões
Prejuízos das SAFs no acumulado dos últimos quatro anos (desde 2022): R$ 3,26 bilhões
- Atlético-MG: R$ 1,23 bilhão
- Botafogo: R$ 862 milhões
- Bahia: R$ 544,9 milhões
- Vasco: R$ 245 milhões
- Cruzeiro: R$ 222,4 milhões
- Coritiba: R$ 157,9 milhões
Os desafios das SAFs no futebol brasileiro
Botafogo: drama financeiro
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O Botafogo pode ser considerado um exemplo negativo da implementação de uma SAF no futebol nacional. O clube carioca tem atualmente dívidas duas vezes superiores às que apresentava antes da constituição de sua Sociedade Anônima de Futebol.
“O Botafogo vive um drama financeiro, mesmo depois de ter tido grande sucesso esportivo”, destaca a análise. “Os prejuízos de 2025 atingiram R$ 291 milhões. Nos últimos três anos os prejuízos somados atingiram R$ 614 milhões”, completa o texto.
Atlético-MG: sem sustentabilidade financeira
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Já o Atlético-MG apresentou em 2025 o maior prejuízo líquido já registrado por um clube brasileiro em uma única temporada: R$ 882 milhões. Nos últimos três anos, a SAF do Galo acumula perdas de R$ 1,3 bilhão.
Já a dívida total em 2025 atingiu R$ 2,3 bilhões pela primeira vez na história do time mineiro. “O Atlético Mineiro SAF é mais um modelo empresarial sem sustentabilidade financeira”, conclui a análise da Sports Value.
Bahia: SAF depende de aportes milionários de donos
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A SAF do Bahia apresentou no mais recente balanço financeiro uma redução considerável da dívida total do clube, que caiu de R$ 821 milhões, em 2024, para R$ 167,8 milhões, em 2025. No entanto, o resultado não é natural. O Grupo City, que controla a SAF, injetou R$ 907 milhões apenas na temporada passada.
Em três anos, os prejuízos da SAF do Bahia já somam R$ 467 milhões. “O Bahia SAF é outro grande exemplo de como a falta de regulação impede o controle efetivo das empresas criadas”, diz a análise do estudo. “Depende de aportes milionários de seus donos. Não há sustentabilidade financeira em um modelo assim”, conclui.
Cruzeiro: “patrocínios artificiais“
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Por fim, o estudo afirma que a SAF do Cruzeiro “é mais um exemplo de uma SAF com altos investimentos, sem que haja sustentabilidade financeira”. A Raposa apresenta receitas elevadíssimas com patrocínios, muito acima do padrão do futebol brasileiro.
No entanto, o principal patrocinador do clube é também o seu dono, o empresário Pedro Lourenço. “Esse modelo foi muito praticado na Europa para driblar o Fair Play Financeiro”, afirma o estudo. O Cruzeiro soma prejuízo de R$ 285 milhões em apenas dois anos, mesmo com a alta nos patrocínios.