O relógio marcava 20h12 do dia 9 de março quando uma cena aumentou ainda mais a aflição do torcedor do Coritiba. Em meio à eliminação no Campeonato Paranaense, o Couto Pereira assistia ao goleiro Pedro Morisco cair no gramado com dores na mão após pular e dividir a bola nos pés do atacante do Maringá para evitar uma derrota em casa e defender a honra do clube. O camisa 1, que havia acabado de fazer duas defesas seguidas, deixou o campo chorando.
Naquele momento, o torcedor coxa-branca, que já convivia com a frustração da eliminação prematura na Copa do Brasil, via uma das principais revelações do clube deixar o campo machucado junto com o fim do sonho no Estadual. Presságio, talvez, de mais uma temporada difícil na Série B do Campeonato Brasileiro.
No dia seguinte, porém, veio a promessa nas redes sociais do camisa 1.
Eu vou voltar mais forte.
A frase curta era um recado para ele mesmo, mas também servia para o próprio Coxa. Oito meses depois, ao completar uma temporada de redenção, aquele mesmo elenco conquistaria o acesso à elite e o título da Série B, com Morisco como protagonista e um dos líderes do elenco.
A tarde inesquecível de 23 de novembro, em Manaus, quando Morisco fez questão de comemorar junto dos companheiros de meta Benassi, Gabriel Leite, Pedro Rangel, além do preparador de goleiros Thiago Mehl, é, em grande parte, fruto do trabalho e da resiliência de um jovem arqueiro de 21 anos, cujo potencial é gigantesco.
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Pedro antes de Morisco
Voltemos no tempo. Antes de ser conhecido como Morisco, sobrenome que atualmente reverbera nas arquibancadas do Couto Pereira e um dos únicos cantados no polêmico empate com o Athletic – que garantiu a promoção para a Série A em meio à vaias da torcida –, o goleiro era apenas Pedro.
Ou “Pedrão”, como os amigos o chamavam no CT da Graciosa. Um menino formado na base coxa-branca, tranquilo, mas obsessivo por evolução, e que sempre carregou nos treinos a mesma vontade que agora se vê em grandes jogos.
Nos treinos do Coritiba em 2021, temporada em que o time também subiu à Primeira Divisão, era comum uma cena se repetir depois que todo o grupo deixava o gramado do CT da Graciosa: Gustavo Morínigo, então técnico da equipe, e o atacante Léo Gamalho ficavam chutando de fora da área, desafiando um goleiro novo, de 17 anos, extremamente concentrado, indicado pelo preparador de goleiros Fernando Corrêa.
O nome dele? Pedro Morisco. O garoto, que ainda aguardaria anos por uma chance no time principal, encarava cada bola como se fosse final de campeonato. Aliás, na vida dele sempre foi assim.
Eu e o Léo chutávamos várias, e ele ficava defendendo, se destacava. Apesar de muito novo, já era um dos melhores nesse fundamento, destaca o paraguaio.
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Primeiro treino chamou a atenção de um ídolo
O primeiro treino de Pedro Morisco com os profissionais também chamou a atenção. Ele ainda estava no sub-17, mas já demonstrava técnica e tranquilidade raras para a idade. O goleiro Wilson, ídolo alviverde e terceiro goleiro com mais jogos pelo Coritiba, jamais esqueceu aquele primeiro contato.
Me chamou atenção o primeiro treino dele com a gente, principalmente a parte técnica. Movimentação, posicionamento, gesto técnico… tudo muito acima da média. Depois do treino, comentei com os preparadores de goleiros na época que o Morisco era o goleiro mais técnico que eu tinha visto na base até aquele momento.
O goleiro Diego Monteiro, ex-companheiro de Morisco no Coxa, também lembra bem daquele início e contou que Morisco não sentiu a diferença de treinar com o grupo principal. “Desde o primeiro treino no profissional, ele já passava segurança. Tecnicamente era muito bom, muito tranquilo, mas demonstrava muita confiança”, frisa.
Para o treinador de goleiros Thiago Mehl, dois pontos são cruciais para explicar o sucesso de Morisco. O primeiro deles é o profissionalismo e a intensidade aplicada em cada sessão de treino. O segundo é a capacidade de execução dos movimentos com perfeição durante as partidas.
Para mim, tecnicamente, ele é um ponto fora da curva. Já trabalhei com excelentes goleiros e ele talvez seja o mais técnico deles. Acho que isso o diferencia no momento do jogo, porque a técnica procede qualquer ação. A partir de uma boa técnica você consegue resolver as coisas mais simples.
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Trabalho e liderança desde sempre
A combinação de talento e seriedade rapidamente virou marca registrada, destacada pelos companheiros. O goleiro sempre foi elogiado pelo profissionalismo. Desde muito cedo. “O sobrenome dele é trabalho,” define Henrique Melo, companheiro de base por três anos.
Era um dos primeiros a chegar, o primeiro a ir para o campo, e puxava os outros. Mesmo quando a gente estava morto depois do treino, ele queria dar mais uma volta, fazer algo a mais. Parecia que não cansava.
Mas o esforço nunca veio acompanhado de arrogância. Pelo contrário: Morisco sempre foi um ponto de união, destacado por isso. “Quando cheguei no clube, ele me acolheu. Me ajudou a me adaptar. Ele queria crescer, mas fazia questão de que a gente crescesse junto”, ressalta Henrique.
Nesta temporada, o arqueiro contou com outra ajuda para acelerar seu desenvolvimento. O clube contratou um analista de desempenho específico para a posição (Rafael Militão), cujo trabalho teve visível. “A gente acredita que ele evoluiu no controle da ansiedade, para saber controlar mais o jogo, principalmente no momento em que estamos ganhando. Ele acelerava muito o jogo no passado e evoluiu nesse entendimento, está menos ansioso para realizar as ações”, diz Mehl.
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Lapidação e coroação com o título
Promovido ao elenco profissional em 2023, Morisco passou por um período importante de amadurecimento no sub-20. Foi na temporada seguinte, após uma Copinha de destaque com lances e defesas de pênaltis, o arqueiro se firmou de vez na meta alviverde.
O susto no início de 2025, a lesão, as lágrimas e o medo de perder espaço ficaram para trás. O que veio depois foi uma temporada que transformou Pedro Morisco de promessa em referência nacional. Aos 21 anos, ele soma 90 partidas pelo Coritiba, número raro para alguém tão jovem em sua posição.
A campanha do acesso recolocou o clube na Série A, mas também lapidou o camisa 1 diante do país. Morisco terminou a Série B como o goleiro com mais jogos sem sofrer gols na temporada (17). Além disso, passou a figurar no top-10 de maiores sequências sem ser vazado na história do Coritiba, marcas que ele prefere dividir com todo o grupo.
No CT da Graciosa, Pedro segue como sempre: chega primeiro, sai depois, cumprimenta a todos e não se deslumbra. Talvez porque, para ele, nada veio de repente. Tudo é fruto de esforço, repetição e insistência. Com uma boa base familiar, ele mantém os pés no chão. Não se deslumbra. E essa maturidade é vista em campo – agora como campeão nacional.
Sensação de gratidão e dever cumprido. Ser campeão não é fácil, resume Morisco.
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