O atacante Cléber Arado, falecido neste sábado (2) após mais de um mês internado na UTI por causa da Covid-19, sem dúvidas tem seu nome marcado na história do Coritiba. E o principal motivo foi a participação do camisa 10 na conquista do Campeonato Paranaense de 1999 – o título que quebrou o jejum alviverde de uma década.

A década de 90 foi dura para o Coxa. Naquele período, com o surgimento do Paraná, a equipe foi vice-campeã estadual por três vezes (1995, 1996 e 1998) e perdeu o título da Série B, em 1995, para o seu maior rival, Athletico.

Por conta disso, começou o Paranaense de 1999, sob o comando de Abel Braga, pressionado. Na primeira fase, onde oito dos 12 clubes se classificavam para as quartas de final, o Alviverde ficou na segunda colocação, atrás apenas do Paraná.

Ali já se via a importância de Arado que, além de ser o artilheiro da competição, com 11 gols, era visto como um líder para o grupo.

"O Cléber teve uma participação fundamental no título de 1999. Não só pelos gols, pelos jogos bonitos que ele fez, mas pela liderança positiva. Era um cara que agitava, importante na hora da cobrança e, quando cobrado, dava uma resposta imediata", recorda Reginaldo Nascimento, ex-jogador do Coritiba e companheiro de Cléber na conquista.

No mata-mata, a equipe superou o União Bandeirante e avançou à semifinal, quando teve pela frente o Athletico, campeão do torneio no ano anterior. O duelo aconteceu em três jogos. O primeiro foi no Pinheirão, com vitória do Coxa por 2 a 1.

No Couto Pereira, um gol de Arado deu a vitória ao Alviverde e evitou um terceiro jogo, colocando o time na final do estadual contra o Paraná – que havia vencido cinco dos oito campeonatos dos últimos anos.

O voleio histórico de Cléber

O primeiro confronto foi no Couto Pereira. Estádio lotado, clima de final... o cenário para um dos maiores gols de Cléber pelo clube. Com voleio absurdo, sem chance para o goleiro Régis, o placar de 1 a 0 colocou o Coxa em vantagem para o segundo jogo.

No segundo embate, um empate em 2 a 2 levou a decisão para o terceiro, e último, duelo. No entanto, logo no começo do jogo, no Pinheirão, um balde de água fria na torcida alviverde.

O Tricolor balançou as redes duas vezes, forçando o Coritiba a buscar pelo menos dois gols para ficar com o título.

A reação começou com um gol de falta, de Arado, que contou com falha de Régis. Depois, Darcy, vindo do banco de reservas, anotou o gol que deu o título ao Coritiba após dez anos sem levantar uma taça.

"Pra gente que é de Curitiba, que tinha um relacionamento mais próximo [com o Cléber], realmente vai ser uma perda muito grande pela alegria dele", lamenta Nascimento.

"É um momento difícil até para fazer qualquer comentário. Apesar de ter alguns anos que não nos víamos, sempre havia aquela mensagem de Natal, fim de ano. E esse ano não teve. O Cléber sempre foi um cara de levantar o astral de todo mundo. Não à toa que naquela época não tínhamos a melhor equipe e nos consagramos campeões. Isso se deve muito a ele", comentou Abel Braga, técnico do Coxa na campanha inesquecível.

"Queria estar falando na presença dele, mas infelizmente, hoje, não é dessa forma. Quem conviveu com ele sabe o que o coração dele era enorme. Ele era o verdadeiro "boleirão", todo mundo dava risada. Eu espero que todo mundo possa aprender com a bondade que ele tinha no coração", falou Sinval, ex-companheiro de Cléber em 1999.

Cléber Arado encerrou sua passagem pelo clube em 2000. Pelo Coritiba, foram 85 jogos com camisa alviverde e 45 gols marcados.

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