Janeiro de 2019. Um mês após o vexame na Série A de 2018, o Paraná aposta num pacotão de reforços no amargo retorno à Série B. Chegam à Vila o lateral-direito Éder Sciola, os zagueiros Timbó e Bauermann, os volantes Itaqui e Kadu e o famigerado atacante Jenison "trampolim". O presidente da época, Leonardo Oliveira.

Corta. Junho de 2021. O jornalista Guilherme Moreira, do Ge.com, publica: Sciola ganha ação na Justiça contra o Paraná, R$ 830 mil. Cabe recurso. Jogador com história em uma série de times médios e pequenos, Sciola defendeu o Tricolor, mas não recebeu pelo serviço.

Retornamos para 2020. Antes de Sciola, Jenison, do mesmo pacotão, vence ação na Justiça: R$ 352 mil. Somados, o atabalhoado Sciola e o tecnicamente carente Jenison cobram R$ 1,1 milhão do Tricolor na Justiça do Trabalho. Justo. Ninguém deve trabalhar sem receber.

E Oliveira? Bem, o ex-presidente acumulou mais de R$ 700 mil em salários na função de interventor judicial do Ato Trabalhista, acordo firmado pelo clube com a mesma Justiça do Trabalho.

Em contrapartida, agiria como interventor judicial, responsável por honrar os acordos trabalhistas e fazer gestão responsável, ou seja, sem criar futuros passivos. Pelo menos a segunda parte da responsabilidade de Oliveira parece não ter sido cumprida.

O gestor repetiu erros de antecessores (que presidente não gerou passivo no clube?), aparentemente gastou mais que arrecadou e agora, depois de sua saída, novas dívidas pipocam, como estas de Jenison e Sciola.

O que fez a Justiça do Trabalho diante da gestão de Oliveira? Aparentemente, nada. Oliveira pagou ações antigas ao mesmo tempo em que criou novo passivo, recebendo alto salário para isso, antes de sair do clube pela porta dos fundos, renunciando quando o destino do Paraná já estava selado rumo à Série C.

Oliveira, aliás, não possuía história no futebol antes de assumir o clube, em 2016. Não possuía sequer história política relevante dentro do próprio Paraná. E hoje, por onde anda? É diretor-executivo da Associação Nacional de Clubes. O Paraná fez bem para Oliveira, ajudou-o a prosperar no futebol, alavancou sua carreira. Jenison devia estar certo. O Paraná parece mesmo um bom trampolim.

É injusto personalizar a crise do Paraná; estes são apenas os capítulos mais recentes

É altamente injusto, inclusive, personalizar a crise do Paraná em um ou outro indivíduo, seja Oliveira, seja Casinha, seja qualquer outro ex-gestor. Os erros, fica claro, foram ação coletiva, obra de décadas. Uma Sagrada Família da incompetência. Interminável. Apenas ressalto os mais recentes retoques.

Retornemos para junho de 2021. As dívidas geradas durante o período da gestão Oliveira caem no colo do atual presidente tampão, Luiz Carlos Casagrande. Casinha, aliás, participou ativamente da gestão de Oliveira. Sabia como as coisas eram tocadas. Não poderia agora reclamar, é óbvio.

Aliás, se Casinha salvar o Paraná da Série D, já terá feito muito. De sua parte não se poderia esperar nada mais do que o mínimo. A aposta é a parceria com a desconhecida FDA Sports. Que a esperança de salvação não se transforme em futuras dívidas para algum futuro presidente.

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