“Queremos o Rafinha sempre. Ele é um símbolo para nós, é coração, raça, líder. Vamos fazer de tudo para que fique”.

A frase acima me foi dita por Renato Follador, há um ano, quando o então presidente planejava a temporada 2021 do Coritiba – ainda sem a certeza de permência na elite ou de disputar a Série B na próxima temporada.

O Coxa caiu, Rafinha renovou (reduzindo salário) e, infelizmente, Follador nos deixou meses depois. Em novembro, o time selou o retorno ao Brasileirão com o camisa 7, já aos 38 anos, participando de 33 jogos, sendo 17 como titular, nenhum gol marcado e cinco assistências distribuídas.

359 dias após as palavras de Follador, a diretoria coxa-branca chamou Rafinha para uma reunião nesta manhã. A decisão do departamento de futebol estava tomada e a opção foi por demitir o veterano meia-atacante, que tinha vínculo até 30 de abril.

Isso depois de se reapresentar para a pré-temporada, fazer todos os exames e anunciar publicamente que iria cumprir o contrato – a aposentadoria imediata era outra possibilidade.

Restavam apenas 114 dias para término definitivo do casamento entre o jogador e o Coxa. A forma com que o clube conduziu a situação desagradou grande parte da torcida. Faltou tato, sensibilidade. Rafinha não é um jogador qualquer na centenária história alviverde.

Foram 268 jogos – o 11º atleta que mais vestiu a camisa do time –  e sete títulos. O próprio Coritiba fez questão de ressaltar os números de Rafinha em uma nota composta por nove frases publicada no início da tarde no site oficial. O clube agradeceu ao jogador pela maneira como ele honrou suas cores, mas não foi capaz de fazer Rafinha se despedir pela porta da frente. O texto, aliás, sequer cita que o jogador foi demitido.

Não questiono a decisão técnica de não contar mais com atleta A, B ou C. Isso cabe a quem está no dia a dia. Questiono como tudo aconteceu. E não é exclusividade do Coxa… o goleiro Fábio, do Cruzeiro, que tem quase 1000 partidas pela Raposa, passa por situação similar.

É por respeito. Gratidão a quem realmente se entrega, respira o clube. Quem chora as tristezas e comemora, mesmo, as alegrias. Rafinha reunia tudo isso e até mais.

Não se faz isso com um símbolo, com quem é  reconhecido como “coração, raça, líder”. Oficialmente, não consegui uma resposta se uma despedida em campo foi oferecida. O jogador garante que não.

Antes de finalizar esse texto, não posso deixar de mencionar algumas dúvidas para as quais não encontrei resposta. Não vejo lógica na decisão. Por que não esperar o fim do contrato? Vale a pena o desgaste por quatro meses de salários? Rafinha não agregaria ao elenco, como fez até aqui, com sua experiência? Se a decisão estava tomada, por que o clube não comunicou o jogador antes da reapresentação?

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