Em 25 dias, a seleção brasileira começará sua caminhada rumo à vaga na Copa do Mundo de 2022, no Qatar. O adversário, sob medida para uma estreia, será a Bolívia, que na disputa por uma vaga na Rússia em 2018 ficou apenas à frente da Venezuela, sendo a nona colocada entre as dez seleções sul-americanas. O jogo será no Elefante Branco pós-Copa 2014 denominado Arena de Pernambuco.

Fosse em qualquer outro lugar, o oponente é extremamente convidativo e o desafio técnico dos menores. Vencer não basta, o time da CBF precisa jogar futebol, bom futebol, o que não tem conseguido fazer há tempos. E para tanto, não faltam ao técnico material humano. Inclusive no ataque. Tite tem à disposição uma série de bons jogadores que, reunidos, podem se transformar em trio ofensivo dos melhores.

Vinícius Júnior fez um dos gols na vitória do Real Madrid neste domingo sobre o Barcelona
Vinícius Júnior fez um dos gols na vitória do Real Madrid neste domingo sobre o Barcelona| JAVIER SORIANO/AFP OR LICENSORS

Além de Neymar, polêmico fora e dentro de campo, mas tecnicamente muito acima da média, estão em ótima fase atacantes que atuam na Europa, como Roberto Firmino, Gabriel Jesus (finalmente amadurecendo em seu jogo e fazendo gols decisivos), Richarlison, David Neres, Lucas Moura... Sem falar em jovens como Gabriel Martinelli, Rodrygo e Vinícius Júnior.

No Brasil, seguem brilhando Gabigol, Bruno Henrique, Dudu, Everton Cebolinha... Se Jürgen Klopp foi capaz de montar um trio ofensivo infernal com o senegalês Mané, o egípcio Salah e o brasileiro Firmino, cabe a Tite mostrar que também saberá fazer o mesmo com três jogadores nascidos no Brasil. Não é tão complicado, convenhamos. Difícil é escalar a seleção da Bolívia para estréar nas eliminatórias em solo brasileiro, problemaço que está nas mãos do venezuelano César Farías.

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Barroca no Coritiba.
Barroca no Coritiba. | Albari Rosa/Gazeta do Povo


"O Botafogo fez uma grande partida, uma partida briosa, buscou o tempo todo, colocou bola na trave no primeiro tempo, teve um gol anulado, finalizou 17 vezes, mas não foi suficiente para vencermos o jogo. Erramos, e quando se erra contra uma equipe com a qualidade do Internacional, se paga um preço. Temos que tirar lição disso".

A frase é de Eduardo Barroca, então técnico do time da estrela solitária, após derrota no Brasileirão por 3 a 2, em 31 de agosto do ano passado. Duas semanas depois, empate sem gols com o Ceará, e o treinador disse: “Venho cobrando os jogadores para que melhoremos as nossas chances de finalização…"

Passados 168 dias, o atual comandante do Coritiba falou após o empate (1 a 1) com o Toledo: "A gente criou de todas as formas, os números do jogo são extremamente tendenciosos para a nossa equipe. O que está faltando para a gente é competência de botar vantagem em jogos como esse. Se a gente coloca vantagem, naturalmente ganharíamos o jogo".

Barroca é um técnico jovem, promissor, capaz de organizar suas equipes e que se propõe a jogar com a bola, tendo a posse. Passa longe da mentalidade mais comum nos últimos anos no futebol brasileiro, do jogo rústico, dito reativo, de quem se fecha, se defende para explorar estocadas em velocidade, bola parada…

Resta saber qual o percentual de responsabilidade do treinador e o dos jogadores na deficiência nos arremates que ele mesmo constata, mais uma vez. E que ainda o acompanha, como persegue Fernando Diniz, ex-Athletico, hoje no São Paulo, que tem filosofia próxima da que caracteriza o estilo de Barroca e sofre com o mesmo problema.

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