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Opinião

O incontestável domínio do Flamengo não acontece por acaso, acostumem-se

Flamengo venceu novamente o Grêmio, desta vez pelo Brasileirão
Flamengo venceu novamente o Grêmio, desta vez pelo Brasileirão| Foto: Pedro H. Tesch/Estadão Conteúdo
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 17/11/2019 20:21

O Flamengo deu início à sua reestruturação em 2013. Por anos manteve elencos fracos para o tamanho do clube e empilhou DARFs (Documentos de Arrecadação de Receitas Federais) pagando atrasados e mais atrasados, dívidas e mais dívidas, renegociando processos e mais processos na justiça do trabalho.

Sabia-se que, em determinado momento, o cenário mudaria, se inverteria. Esse instante foi ensaiado entre 2016 e 2018 e, finalmente, em 2019 chegou.

O domínio do clube no Brasileirão é absoluto e incontestável, por mais que fanáticos por clubes rivais tentem desmerecer os feitos que os rubro-negros vêm construindo. Soa patética qualquer insinuação de benefício ao time que, se fosse realmente ajudado, não estaria há uma década sem erguer o troféu de campeão brasileiro.

Na vitória sobre o Grêmio por 1 a 0, com oito reservas em campo, pode-se dizer que o decisivo pênalti foi mal marcado. Especialistas em arbitragem sinalizam na contramão de tal opinião, que é a da coluna. Mas como ignorar o fato de os gremistas pouco terem ameaçado o goleiro rival e no placar agregado dos quatro jogos entre os clubes o Flamengo ter vencido por 10 a 2?

O que estamos acompanhando nada mais é do que o renascimento de uma camisa pesada, importantíssima, que representa a maior legião de torcedores e que, por conta de patéticas administrações, durante anos abraçou o papel de coadjuvante. Pois após anos se recuperando, o Flamengo parece mais forte do que nunca, aparentemente em condições de assim seguir.

Seguir forte por muitos anos, sabe-se lá quantos. Acostumem-se!

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Tite está na berlinda. Os últimos cinco jogos foram marcados por duas derrotas (Peru e Argentina) e três empates (Colômbia, Senegal e Nigéria), com desempenho de fraco a sofrível do time brasileiro. A conquista da Copa América, em julho, não deu ao treinador a esperada tranquilidade, pois os amistosos que se seguiram mostraram um time sem imaginação, previsível e que regride.

Após nova derrota, Tite está na berlinda na seleção. Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Após nova derrota, Tite está na berlinda na seleção. Foto: Lucas Figueiredo/CBF| CBF

A má fase do time da CBF coincide com a mudança de referência que sacode o futebol praticado no Brasil. Reflexo dos trabalhos e das presenças de Jorge Sampaoli, terceiro colocado no Brasileirão com um elenco que passa longe de ser um dos melhores, e Jorge Jesus, líder da Série A e finalista da Libertadores com o Flamengo e seu caro, forte e estrelado time.

O patamar é outro, a referência mudou, a expectativa cresceu e a cobrança idem. Vale para os treinadores dos clubes nacionais, vale também para quem treina a seleção e pode escolher qualquer atleta de futebol nascido no Brasil. Ainda mais depois de ficar pelo caminho na Copa do Mundo, Tite, com uma segunda chance, passa a depender mais e mais daquilo que sua equipe apresenta.

E o que se vê é desalentador. Na derrota de sexta-feira na Arábia Saudita, a Argentina fez 1 a 0 com Messi e levou muito mais perigo. Dominou o cotejo diante de um Brasil atordoado nos momentos de maior pressão. Foram 11 finalizações contra cinco, oito na direção do gol brasileiro, sete arremates de dentro da área.

Não por acaso o goleiro Alisson foi destaque. Os argentinos desperdiçaram chances, especialmente na segunda metade da etapa final, quando o domínio de Messi e seus companheiros foi mais amplo. Enquanto isso, Tite não conseguia mudar o time taticamente, fazia substituições previsíveis e via, à beira do campo, o time estagnado.

Como se não bastasse o resultado e o futebol muito aquém do que deveria a seleção apresentar, Gabriel Jesus perdeu um pênalti quando o placar estava em 0 a 0. O camisa 9 chutou para fora, chegando a nove penalidades máximas cobradas na carreira, tendo desperdiçado nada menos do que cinco, duas em nove dias, três em 2019, duas pelo Brasil.

Se o jogador do Manchester City apresenta tão fraco desempenho nos penais e havia perdido um diante do Atalanta, na Itália, dia 6, pela Champions League, o que explica Gabriel batendo contra a Argentina? Aliás, já na Copa do Mundo sua condição de titular era questionada, algo que diminuiu após os últimos (bons) jogos pela Copa América.

Mas Jesus, o centroavante, é apenas um dos jogadores que fazem Tite ser cobrado, em seu trabalho e suas escolhas. Philippe Coutinho tem intermináveis oportunidades, mesmo há tanto tempo mal, o que contrasta com Marcelo, lateral praticamente abandonado das convocações depois do Mundial. E quando o time joga tão mal, tudo é motivo de questionamento.

Hoje os treinadores de clubes brasileiros são questionados como talvez nunca tenha ocorrido.A forma como Sampaoli e Jesus fizeram jogar suas equipes deu um choque no mercado de técnicos no futebol brasileiro, a referência se modificou rapidamente e os torcedores passam a cobrar mais dos outros profissionais. A zona de conforto desapareceu repentinamente.

Nesse cenário, nem Tite escapa de comparações, ainda mais na sua situação, autorizado a convocar para formar um grupo de jogadores que bem entender. Os problemas de elenco, eventuais carências, enfrentados pelos demais técnicos, entre eles esses dois estrangeiros, não afetam o comandante do time cebeefiano. Ele tem farto "cardápio" ao seu dispor.

E se o técnico da seleção tem a desculpa de que não conta com tempo para conviver com os jogadores e treiná-los, seus adversários também enfrentam o mesmo problema. Ou seja, trata-se de pretexto que, caso seja usado, jamais se sustentará. Sem falar que nos períodos de Mundial e Copa América (teremos mais uma em 2020), ele passa semanas, mais de mês com os atletas.

Tite precisa urgentemente mudar a forma de jogar da seleção brasileira, mostrar mudanças, novidades, como fizeram os Jorges argentino e português. Caso não se mexa e o time seguir mal, no desempenho e em seus resultados, as cobranças ficarão mais pesadas e sua situação mais complexa, afinal, a zona de conforto dos treinadores brasileiros de futebol desapareceu.

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Coritiba está perto do acesso na Série B 2019. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo
Coritiba está perto do acesso na Série B 2019. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

São 11 jogos do Coritiba sem derrota, com seis vitórias e cinco empates. No próximo domingo (24), às 16 horas, o campeão Bragantino estará no Couto Pereira. O jogo valerá pela 37ª rodada da Série B. Como já fez seu papel no certame, não é absurdo imaginar o time da Red Bull menos interessado, o que colocaria o Coxa, em tese, mais perto de um triunfo que o deixaria próximo da volta à Série A.

TABELA: Confira a classificação da Série B 2019

Será, provavelmente, a partida mais importante do Coritiba nos últimos dois anos. Mais uma temporada fora da primeira divisão, ainda mais com o maior rival, Athletico, forte, vencedor e colecionado troféus, seria terrível para o futuro do clube. Quando a bola rolar no fim de semana para esse cotejo, o Coxa vai precisar, como nunca, do apoio de sua gente.

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