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Mauro Cezar Pereira

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Opinião

A cartolagem e o eterno vírus que ameaça o futebol brasileiro

Reunião da CBF com dirigentes de clubes brasileiros em março deste ano
Reunião da CBF com dirigentes de clubes brasileiros em março deste ano| Foto: Lucas Figueiredo/CBF
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 22/03/2020 13:42

É óbvio que a adoção do calendário europeu, defendida neste espaço em 15 de março, seria a melhor saída para o futebol brasileiro nesses tempos de pandemia. Seria uma crise mundial empurrando na direção do aprimoramento quando ela passar.

Mas a possibilidade de tal mudança acontecer é pequena. Porque o óbvio não agrada a cartolagem, mais próxima de movimentos políticos, no sentido negativo da expressão; ou marcada pela mesquinhez. Raros são capazes de pensar no macro.

Mesmo nesses tempos em que agir voltado ao coletivo é questão de sobrevivência, não são raros os que esboçam ou articulam mudanças pensando em si. Sim, dirigentes que esperam tirar alguma vantagem a partir do dia em que a bola puder retornar aos gramados.

Mudar o sistema de disputa do campeonato brasileiro , voltando ao mata-mata, é a meta de alguns. Aparentemente não pensam que menos jogos (de 380 para 204 se for como o certame de 2002) significaria menos dinheiro de TV, bilheteria, sócio-torcedor, pay-per-view...

E o menor número de partidas seria consequência inevitável com a eventual troca dos pontos corridos (38 rodadas) pelo antigo formato (19, mais três fases eliminatórias com poucos times ainda vivos). Ou alguém crê em mais grana com menos pelejas?

A CBF não se posiciona, deixa o tempo passar, quando o óbvio seria aproveitar o tempo. Ele é desperdiçado em nome da política. E o colégio eleitoral da entidade nas federações estaduais tem o peso extra a seu favor.

Uma mexida brusca, por mais que necessária, desagradaria essas entidades, algo que, óbvia e evidentemente a Confederação não deseja. A base política deve sentir-se confortável, afinal. Assim nada muda no eixo do poder.

Esse é o velho vírus que machuca o futebol nacional. Interesses e objetivos de alguns poucos em segundo plano. Pois a prioridade não é o torcedor. As decisões não costumam ter argumentação técnica, mas politiqueira.

Assim, quando o coronavírus permitir o retorno ao ritmo de vida mais próximo do ideal, a volta da bola à cancha terá uma preparação. Não voltada à bola, mas provavelmente ao ambiente necessário para a CBF fazer os ajustes políticos que desejar.

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