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Opinião

Dívidas x receitas: veja quais clubes de futebol devem muito mais do que arrecadam

Caso do Botafogo é um dos mais preocupantes
Caso do Botafogo é um dos mais preocupantes| Foto: Instagram/Botafogo
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 31/05/2020 15:58

A Ernst & Young fez um levantamento das Finanças de 20 dos principais clubes do futebol brasileiro em 2019. Para tal, recorreu às suas demonstrações financeiras do ano passado. Nesse estudo se observa não apenas a dívida líquida de cada um, como algo ainda mais relevante, a relação entre o endividamento e a receita.

Imagine uma pessoa que ganha por ano R$ 24 mil. Se ela deve R$ 50 mil, obviamente suas possibilidades de quitação desse passivo serão mínimas ou zero, ante as despesas que terá no dia a dia. Já outra, que fature anualmente R$ 120 mil, não estará enfrentando essa dificuldades, mesmo que deva mais, R$ 60 mil, por exemplo.

A capacidade de endividamento é tema importante nas análises das empresas e também se encaixa nas vidas das pessoas. É o valor da dívida, dos financiamentos que cada um pode encarar, assumir. E isso se encaixa também na vida contábil dos clubes de futebol. Por isso é importante observar duas tabelas, a das dívidas e a das receitas.

Dívida líquida / receita = resultado*

Ceará 14/98 = 0,15
Fortaleza 12/115 = 0,22
Goiás 50/99 = 0,50
Flamengo 505/950 = 0,53
Athletico 279/390 = 0,71
Palmeiras 501/642 = 0,78
Grêmio 410/459 = 0,89
Santos 440/400 = 1,10
Bahia 224/189 = 1,18
São Paulo 503/384 = 1,31
Atlético-GO 28/19 = 1,47
Corinthians 765/426 = 1,79
Inter 794/441 = 1,80
Atlético-MG 656/354 = 1,85
Fluminense 224/265 = 2,42
América-MG 82/32 = 2,57
Cruzeiro 799/289 = 2,76
Vasco 639/215 = 2,97
Botafogo 819/191 = 4,29
Sport 178/39 = 4,56
*receita de 2019 foi quantas vezes maior, ou menor do que a dívida líquida

Interessante notar que o Ceará arrecadou quase um décimo do que o Flamengo obteve em 2019, mas isso significa sete vezes a dívida do clube. Evidentemente os objetivos esportivos das duas agremiações são antagônicos, um é o atual campeão e o outro lutou pela permanência na Série A.

Mas também é fato que os cearenses conseguiram seu objetivo e mantiveram absoluto controle na relação receita x dívida.

Claro que alguns aspectos devem ser considerados, como o fato de o Sport ter disputado a segunda divisão em 2019, ou seja, deve melhorar sua arrecadação neste ano, além de 43% ser tributária, parcelada no Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O inverso ocorre com o Cruzeiro, rebaixado à Série B e com inevitável queda em sua receita.

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Isso faz com que o caso mais preocupante seja o do Botafogo, que tem a maior dívida e na relação entre ela e o que arrecada, com isso, registra a segunda pior proporção. E ao contrário do Sport, não tem a expectativa de salto em sua receita, já que não subiu de divisão, esses números são de um time que já estava, e permanece, na Série A.

Por sinal, o objetivo de três dos quatro cariocas (Fluminense e Vasco, além dos alvinegros) da chamada "elite" do futebol foi não cair em 2019. Ceará e Fortaleza também entraram no Brasileirão com tal meta e não só também a alcançaram, mas sem contrair dívidas, pelo contrário, os rivais apresentam números bem confortáveis.

Quanto ao Flamengo, campeão de arrecadação em 2019, 56% de sua dívida é tributária, parcelada no Profut. Assim, dos R$ 505 milhões, restam R$ 218 milhões, menos de 23% da receita de 2019. E parte do endividamento rubro-negro é pela aquisição de jogadores que deram retorno técnico e têm valor elevado de mercado. Só Rodrigo Caio, Gérson e Arrascaeta, se vendidos pelos mesmos valores que custaram, chegariam perto de R$ 200 milhões.

O relatório explica que o Athletico tem "a maior dívida relacionada a empréstimos", R$ 458 milhões, seguido por Atlético-MG (R$ 312 milhões) e São Paulo (R$ 190 milhões). Contudo, mais de 90% desse passivo do Furacão refere-se ao que deve pagar ao fundo de desenvolvimento do Estado do Paraná, que financiou as muitas obras e reformas da Arena da Baixada. Ou seja, o patrimônio atleticano cresceu.

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