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Análise

Enquanto o Flamengo brilha, Muralha, em silêncio, dá volta por cima no Coritiba

Enquanto o Flamengo brilha, Muralha, em silêncio, dá volta por cima no Coritiba
| Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 10/11/2019 22:33

"O Muralha foi fantástico hoje", elogiou o técnico Jorginho após o empate do Coritiba com o Figueirense, em Florianópolis, onde o Coxa atuou com um homem a menos por 53 minutos - Diogo Mateus levou o segundo cartão amarelo e foi expulso da partida ainda no primeiro tempo.

O goleiro emprestado pelo Flamengo pegou um pênalti de Fellipe Mateus no Orlando Scarpelli, aos 37 da primeira etapa, e depois fez outras importantes defesas. Em terceiro lugar na Série B, há nove partidas (cinco empates e quatro vitórias) o time paranaense não perde.

O arqueiro tem 24 partidas pelo Coritiba na segunda divisão, 23 como titular, atuando em média 88 minutos por aparição, sofreu 0,9 gol por jogo e faz 2,2 defesas a cada peleja, segundo os números do SofaScore. Em nove compromissos Alex Muralha saiu de campo ser ser vazado.

A pressão do Figueirense foi grande, com o gol de empate saindo no segundo tempo. Mas Muralha deixou o campo como destaque do seu time. Aos poucos, o goleiro recupera confiança e vai reconstruindo a carreira depois de uma desastrosa passagem pelo atual líder da Séria A nacional.

Gazeta do Povo
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Muralha já deu entrevistas sobre sua fase no Flamengo, que resultou na saída do clube, primeiro para o Albirex Niigata, da segunda divisão do Japão, e finalmente ao Coritiba. Mas as criticas recebidas quando atuava pelo clube carioca não foram gratuitas. Ele errou demais.

Ele errou muito na temporada 2017, em alguns jogos com maior repercussão, como diante do Athletico, em Curitiba, tanto pela Libertadores como em jogo do Campeonato Brasileiro. Falhou duas vezes contra o Santos na Vila Belmiro pela Copa do Brasil e protagonizou mais um par de erros diante do mesmo adveresário pela Série A, na Ilha do Urubu.

Nas cobranças de pênalti, embora obviamente goleiro algum tenha obrigação de para-los, o goleiro era criticado por sequer passar perto da defesa, ou pular para o lado errado em praticamente todas as batidas, com na final da Copa do Brasil, diante do Cruzeiro. Se existem goleiros pegadores de penais, Muralha era visto como o oposto disso.

Também andou falhando em sua passagem pelo futebol japonês, erros que fizeram vídeos viralizarem na internet. Mas agora até penalidade máxima ele pegou. E não foi a primeira vez que se destacou com a camisa do Coxa. Sem o destaque da grande mídia nacional, que mostrava os erros de Muralha, como os acertos pelo Figueirense que o levaram ao Flamengo; ele vai se recuperando.

O Coritiba está em sua segunda temporada consecutiva na Série B, obviamente eventuais feitos do goleiro não têm o mesmo destaque e os holofotes naturalmente projetados em suas falhas com a camisa rubro-negra. Mas Alex Muralha vai se recuperando, pouco a pouco. Pode reaparecer na primeira divisão em 2020, juntamente com o campeão brasileiro de 1985.

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Flamengo abre 10 pontos

Com Diego Alves na meta, goleiro contratado justamente quanto Muralha já parecia queimado no clube, o Flamengo entrou em campo para encarar o Bahia. Levou um susto ao sofrer 1 a 0 no primeiro tempo com gol contra de Arão em lance que mesclou falha de Rodinei e muita sorte do time de Salvador. Virou pela primeira vez no Maracanã nessa gestão do técnico português no segundo tempo, 3 a 1. Gols de Reinier, que substituiu Vitinho, Bruno Henrique (foto) e Gabigol, autor de duas assistências.

Líder com, novamente, 10 pontos de vantagem sobre o Palmeiras, esse Flamengo tem vencido as partidas de diferentes maneiras. E impressiona o fato de mudar o placar na etapa final com enorme esforço menos de três dias depois de uma partida duríssima, brigada, e vencida com gol no final diante do Botafogo, fora de casa. O título parece questão de tempo e o rival na final da Liberadores, o River Plate, perdeu em casa por 1 a 0 para o Rosario Central , um dos times que lutam contra o rebaixamento na Superliga Argentina .

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Palmeiras e o repertório pobre

Sábado, no Pacaembu, Palmeiras e Corinthians fizeram um jogo fraco, ruim. Incrível o futebol pobre e sem repertório da equipe que Mano Menezes treina há 63 dias e já mandou a campo 16 vezes. Poupou sete titulares na vitória sobre o Vasco na quarta-feira (2 a 1 em São Januário) e nada de especial, de novo foi apresentado no 1 a 1 com o grande rival. Despejando a bola na área corintiana (foram 33 cruzamentos), o time palmeirense segue pontuando, mas o futebol é de pobre repertório.

Palmeiras/Divulgação
Palmeiras/Divulgação| Cesar Greco

O treinador pediu comentaristas portugueses no Brasil durante sua participação no programa Bem Amigos, segunda-feira passada, no canal Sportv. E tem gente lá em Portugal de olho nos jogos disputados aqui no país, devido à presença de Jorge Jesus no Flamengo. Depois do fraco clássico paulista, Pedro Bouças, do Canal 11 em Portugal, escreveu na conta Lateral-esquerdo, que mantém no Twitter: "Espetáculo de horrores o Palmeiras x Corinthians!!! Tanto talento à solta em campo, mas mesmo à solta… pouco há que se possa dizer que é organizado ou treinado!"

Antes, a pedido deste colunista da Gazeta do Povo, Bouças escreveu uma análise sobre o time palmeirense em seu blog - clique aqui e leia. No texto, destaca a dependência da equipe dos valores individuais, e foi além: "“Não há referências coletivas – Os defesas centrais ficam muito baixos, há muito espaço entre estes e os médios. Os laterais posicionam-se em função do posicionamento dos adversários, não formando linhas no campo em função do posicionamento dos centrais. Ou SEJA – NÃO HÁ DEFESA À ZONA – NÃO HÁ REFERÊNCIAS PRÓPRIAS – A referência para defender vem do que faz o adversário, e com isso, o Palmeiras está refém do que fizer o opositor”.

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