A pergunta de torcedores nas redes sociais se repete: "Por que Grêmio, Inter, Atlético Mineiro e Cruzeiro treinam e o Flamengo não pode?" A resposta não é complexa e causa estranheza que ainda exista quem não consiga compreender. Então, vamos lá.

Os presidentes dos dois maiores clubes do Rio Grande do Sul não foram a Brasília. Junto ao prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, e ao governador do Estado, Eduardo Leite, a dupla Grenal apresentou protocolos defendendo a tese de que havia condições para treinar.

Treino do Inter no dia 19 de maio. Foto: Ricardo Duarte, Internacional
Treino do Inter no dia 19 de maio. Foto: Ricardo Duarte, Internacional

A agenda dos presidentes Marcelo Medeiros, do Internacional, e Romildo Bolzan, do Grêmio, foi local, calçada em argumentos científicos. Foram autorizados a treinar. E, importante, até a tarde desta quinta-feira o Rio Grande do Sul tinha 441 casos de COVID-19 por milhão de habitantes.

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Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético, tomou medidas duras na luta contra o novo coronavírus. Quando os times mineiros foram liberados para treinar, ele explicou que a autorização foi dada pelo Comitê do Coronavírus.

Formado pelo secretário de saúde e três infectologistas, esse grupo foi criado na gestão da capital de Minas Gerais. Antes do Cruzeiro, Atlético e América já tinham autorizações das prefeituras das cidades que abrigam seus CTs, respectivamente Vespasiano e Contagem.

Treino do Galo no dia 21 de maio. Foto: Pedro Souza, Atlético-MG
Treino do Galo no dia 21 de maio. Foto: Pedro Souza, Atlético-MG| Pedro Souza/Atletico

Minas apresentava 259 casos de COVID-19 a cada milhão de pessoas na tarde desta quinta-feira, Com 236, o Paraná aparecia com o estado que possui o melhor índice. Em suma, os times do Rio de Grande do Sul e de Minas Gerais foram autorizados a treinar.

Dentro de protocolos pré-estabelecidos, mineiros e gaúchos conseguiram sinal verde para as atividades básicas, já sendo desenvolvidas. Algo que ainda não ocorre no Rio de Janeiro, com 1.845 pessoas com a doença a cada milhão de habitantes. São Paulo registrava na quinta-feira 1.588.

Na terça, enquanto os presidentes de Flamengo e Vasco se encontraram com Jair Bolsonaro na presidência da República, em Brasília, o elenco rubro-negro treinava no Rio de Janeiro, mesmo sem liberação das autoridades. Foi na marra e seguiu assim nos outros dias.

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Na tarde de quinta-feira, a prefeitura carioca emitiu nota com um trecho atribuído à secretária de Saúde, Beatriz Busch: "O retorno ao treino, seja tático ou físico, ainda não está permitido, pelo menos até o dia 25, quando a gente vai rediscutir as restrições do decreto”.

E um trecho político: “Mas nós temos certeza de que se o Flamengo (...) estiver fazendo algum tipo de atividade, ele vai voltar atrás e cumprir seu papel como formador de opinião. Imagina se nossos jovens virem o Flamengo treinando, eles vão querer sair de casa num momento em que isso ainda não é possível”.

Um verdadeiro morde e assopra. Caminho curioso fez o Flamengo, mais longo, indo até a capital federal, numa comitiva da qual fez parte o ex-árbitro Gutemberg de Paula Fonseca, secretário municipal de Ordem Pública. Uma costura mais complexa, na qual a política vale mais do que a ciência.

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