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Mauro Cezar Pereira

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Análise

Flamengo testa 293, 38 positivos para COVID-19, escancara seu erro, mas ajuda o futebol

Clube fez distribuição de álcool gel com sua logomarca.
Clube fez distribuição de álcool gel com sua logomarca.| Foto: Marcelo Cortes/Flamengo
  • Por Mauro Cezar Pereira
  • 07/05/2020 14:30

Foram 293 pessoas testadas pelo Flamengo para o COVID-19. Pessoal do departamento de futebol, funcionários e familiares próximos dos jogadores etc. Resultado: positivo para 38, quase 13%. Os testes acontecerem entre quinta-feira passada, 30 de abril, e domingo, 3 de maio. Na terça saíram os resultados, divulgados na noite seguinte.

“Foram detectadas 11 pessoas que já tinham tido o contato com o vírus previamente, sem sintomas, e já se encontravam com anticorpos IGG positivos”, informou o clube em nota oficial.

Dos 38 que reagiram ao vírus, três atletas do elenco profissional (dois outros “apresentaram anticorpos IGG positivos”), seis funcionários, dois de empresas que prestam serviços ao Flamengo, 25 familiares, empregados ou pessoas próximas aos jogadores. Ou seja, 66% não trabalham no clube.

Os rubro-negros anunciaram medidas para quem testou positivo, “todos assintomáticos”, como isolamento, acompanhamento diário etc. Jogadores com familiares ou funcionários que tiverem testes positivos também entrarão em quarentena.

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Podemos criticar os dirigentes flamenguistas que manifestavam interesse em retornar aos treinos precocemente. Óbvio! Mas ao realizar centenas de testes, extensivos a familiares e pessoas próximas, escancarou o erro de avaliação de alguns cartolas que ainda desejam acelerar o retorno. Mas também prestou um serviço ao futebol.

Alguém acha que seria muito diferente o resultado de tantos testes feitos em outro clube? O  número de contaminados deixa claro que é precipitado voltar neste momento. Ficou mais difícil apressar a retomada da bola e um sinal foi dado: atletas profissionais terão que se isolar mais e mais.

O esporte não se descola da sociedade brasileira, que segue mergulhada em erros crassos na forma como enfrenta (?) o novo coronavírus. Erros que partem de cima e a ele proporcionam oportunidade expansão.

Ao realizar tantos testes e divulgar tais resultados, o Flamengo oficializou o que alguns no clube, e fora dele, se recusam a ver: é inviável voltar ao futebol agora, a curva do COVID-19 ainda não deu is sinais de queda que acenem com a perspectiva de retorno para diversas atividades.

Uma das razões é a baixa adesão à quarentena. Se as pessoas não fazem sua parte e o presidente do país as estimula a isso, trata-se de uma consequência até natural. Jogador de futebol costuma viver envolvido por parentes, amigos, parças e aspones. Todos se isolam como deveriam? Quem os cerca, cumpre o papel social de cada um de nós? Ou sai por aí espalhando o vírus mesmo sem saber?

Nem sempre adiantará a quarentena se aos profissionais faltar cuidado mais do que extremo. Sim, provavelmente restringindo ao máximo as pessoas com as quais convivem em suas casas. Como controlar esses que os cercam se no país tanta gente segue ignorando as recomendações?

Se quiserem jogar bola para manter a economia do futebol ativa, talvez tenham que aderir a uma espécie de concentração permanente, isolados no dia a dia de treinos (e depois jogos) do clube. Isso quando for viável, evidentemente. E até a pandemia passar.

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