A Taça Guanabara sempre foi tratada pelos cariocas como um título. E era, ou melhor, é! Perdeu em relevância, como os campeonatos estaduais também não têm mais o peso dos tempos em que a integração entre as diferentes regiões do país era menor e os duelos domésticos mais valiosos.

Neste sábado o Flamengo foi bicampeão da Taça Guanabara e, pelo Brasil, quem não conhece bem a história do certame e do futebol do Rio de Janeiro fica se perguntando: "Afinal, campeão de que?". Tentaremos explicar porque a competição ganhou esse status e, mesmo perdendo a importância, segue sendo celebrada.

O torneio surgiu em 1965, quando a, hoje, cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado de mesmo nome, era o Estado da Guanabara, antiga capital Federal, o que deixou de ser cinco anos antes com o surgimento de Brasília. A Taça Guanabara apontava o representante carioca na Taça Brasil, embrião da Copa do Brasil.

Ela era realizada isoladamente do campeonato estadual. O primeiro campeão foi o Vasco da Gama, que em 1966 venceu o Fluminense, com o Botafogo levando o bi em 1967 e 1968. Assim, até 1971 o certame seguiu em separado, até que em 1972 o encaixaram como primeiro turno do Campeonato Carioca.

Quem erguia o troféu dava a volta olímpica e garantia vaga na final do título estadual com o vencedor do returno e também do terceiro turno, quando havia mais uma etapa no torneio. O valor da Taça Guanabara, pela tradição criada, era grande. Finais históricas foram disputadas e as torcidas desejavam, muito, o título.

Mas com o tempo o regulamento do Estadual sofreu alterações e, com isso, a Taça Guanabara perdeu relevância e passou a ser colocada de outras maneiras dentro do certame maior no âmbito local. Neste ano, com os 12 times se enfrentando em pontos corridos na luta por quatro vagas nas semifinais, o troféu foi destinado ao time que mais pontos acumulasse em tal fase.

Assim o Flamengo ganhou sua 23ª Taça Guanabara. É o clube que a ergueu mais vezes, seguido do Vasco (13), Fluminense (10), Botafogo (8), América, Americano e Volta Redonda, uma cada. Mas no contexto rubro-negro, esse troféu tem relevância por outra razão: foi o 11º ganho pelo time em pouco mais de dois anos, ou exatos 755 dias, um a cada 69.

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