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Análise

Flamengo será hegemônico no Brasil? Hoje já assusta rivais; e o Coxa empurrado pela torcida rumo à elite

Flamengo será hegemônico no Brasil? Hoje já assusta rivais; e o Coxa empurrado pela torcida rumo à elite
| Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 24/11/2019 21:03

A pergunta do título acima está sendo feita insistentemente em programas esportivos, em conversas entre torcedores, nas redes sociais. Motivo: com a maior torcida, faturamento elevado e crescente, time forte, técnico internacional, campeão da Libertadores e brasileiro, como parar o Flamengo?

Claro que dinheiro não é tudo, mas fica difícil descartar a possibilidade de os rubro-negros ficarem no controle. Depois de anos se reorganizando, ampliando receitas, reforçando o time, o clube carioca assumiu uma posição privilegiada. Incorporou o papel de adversário a ser batido.

Os jogos recentes pelo Campeonato Brasileiro já evidenciavam isso. Observe o comportamento do Goiás contra o Flamengo, quando foi buscar o empate após levar 2 a 0, e na partida em que foi goleado pelo Santos. Compare o Vasco que perdeu para os reservas do Palmeiras com o dos 4 a 4. Muito mais empenhados contra o, agora, campeão do país e do continente.

Foi absolutamente fora do padrão a maneira como o Botafogo atuou contra seu maior rival. Não apenas por ser o time detestado pelos alvinegros e devido à necessidade de se afastar das últimas posições, mas também pela atenção maior que se dá ao time que está em evidência, em destaque.

A resposta ao questionamento inicial não passa apenas pelo Flamengo, mas também por seus adversários. O que farão? Como reagirão? Afinal, reagirão? Seguirão com treinadores que há anos fazem o mesmo ou partirão em busca de profissionais com novas ideias, que mudem conceitos.

Esse é um ponto absolutamente vital no contexto. A dificuldade imposta pelo River Plate na final da Copa Libertadores mostrou isso. Fruto de cinco anos de trabalho, com muitas chegadas e partidas e taças em profusão, o time argentino foi o mais duro teste encarado pela equipe com Jorge Jesus.

Ficou claro que a forma de jogar do time argentino dificultou demais a equipe brasileira, impôs um desafio novo e duro, duríssimo, especialmente enquanto teve gás. Perdeu fôlego após tanto tempo marcando, pressionando, picotando o jogo, mordendo, impedindo a fluência da posse de bola rival.

Ao se cansar, recuou. Marcelo Gallardo, que tão bem estruturou sua equipe, foi infeliz nas substituições. Difícil entender a saída de Nacho Fernández, e a presença de Lucas Pratto, fora de forma, em campo no segundo tempo quando Ignácio Scocco estava à disposição, no banco.

O Flamengo fez uma das suas piores atuações, principalmente pela maneira como o River foi capaz de neutralizar suas virtudes. Gabigol e Bruno Henrique vinham mal demais, Arrascaeta discreto. Mas bastou um momento de inspiração do trio para empatar e uma chance mais para Gabriel virar o placar.

O campeão da América mostrou que é forte até quando não atua bem. O time de Jorge Jesus tem talento e a coragem de seu técnico, que, ao contrário de tantos por aí, busca o gol, e quando faz um segue atrás de outro. Assim transformou a mais dura derrota na vitória mais saborosa possível.

Como parar esse Flamengo? O River mostrou que é possível e deu uma receita factível. Mas com bons e ótimos jogadores, além, claro de um ótimo técnico. Sem essa combinação, desde que os rubro-negros não desmontem o que construíram, a pergunta lá em cima aponta para um sim como resposta.

Palmeiras segue devendo, e Mano levou banho de Jesus

Divulgação/Palmeiras
Divulgação/Palmeiras| Cesar Greco

Derrotado pelo Grêmio, o Palmeiras jogou o título brasileiro no colo do Flamengo. Após a partida, em São Paulo, Mano Menezes falou sobre a provocação dos rubro-negros ao rival paulista, uma espécie de troco em relação ao que os alviverdes fizeram no ano passado, quando levantaram o título Nacional.

Para o treinador, a reação dos flamenguistas valoriza o Palmeiras. Óbvio. Explicar isso é bem fácil. Difícil é justificar o futebol pobre do elenco que tem em mãos, que segue devendo meses depois de iniciar o trabalho. Mano levou um banho de Jorge Jesus em 2019. Esse tipo de tema, como as provocações do pessoal do Flamengo, o ajudam a falar menos do que mais importa, a qualidade do jogo do time que treina. Mas o campo revela tudo.

Coxa perto da Série A, empurrado pela torcida

Albari Rosa/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Gazeta do Povo| Gazeta do Povo

Quase 40 mil pessoas no Couto Pereira, vitória com gol no fim sobre o campeão da Série B, o Bragantino. Sim, o Coritiba está próximo do retorno à Série A. E jamais o faria sem a torcida, que empurrou o time em toda a campanha.

É a diferença entre um clube com história e seus seguidores e os times artificiais. Agora, basta um empate contra o Vitória, na última rodada, para carimbar a volta à primeira divisão após duas temporadas na Série B. O time deverá aos torcedores esse (quase) acesso para sempre.

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