Os times são os mais vencedores dos últimos dois anos. Em 2020, Flamengo (campeão carioca, da Supercopa, Recopa e Brasileiro) e Palmeiras (vencedor do Campeonato Paulista, da Libertadores e da Copa do Brasil) não deixaram taças para ninguém.

Em suma, na temporada passada a dupla ganhou todos os títulos colocados em disputa com a participação de pelo menos um deles. Rubro-negros e palmeirenses vêm duelando desde 2016, em geral um confronto que não se limita aos placares dos jogos, ele vai além.

Nesses cerca de cinco anos, o time carioca tem se notabilizado por uma proposta de jogo que passa pela posse de bola, com diferentes treinadores, exceto por um breve intervalo no primeiro semestre de 2019. Muda o "professor", são alterados detalhes, ajustes, mas a essência é mantida.

O mesmo pode ser dito sobre o campeão paulista nesse período. Embora tenha tentado mudar de perfil com a contratação de um ou outro técnico de proposta diferente, os alviverdes têm conseguido sucesso com a mesma receita: pouco tempo de bola nos pés, velocidade, contragolpes.

Foi assim que o time sofreu, além da conta por sinal, na vitória sobre o Defensa y Justicia, quarta-feira (7), pela Recopa Sul-Americana. Diante de um adversário claramente inferior, o Palmeiras foi o time de sempre. É assim com Abel Ferreira, era com Mano Menezes, Felipão, Cuca até.

Em geral a ideia passa por uma defesa firme, segura, ataque veloz com alguém capaz de decidir (foi assim com Gabriel Jesus, Dudu e Rony). Há sofrimento em momentos nos quais o oponente aperta, pressiona, mas a aposta é a mesma. E o português que aqui chegou em 2020 trouxe a mesma receita.

Se o Palmeiras sofre em alguns momentos, o Flamengo prefere a bola

O Flamengo de Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Maurício Barbieri, Dorival Júnior, Jorge Jesus, Domènec Torrent e Rogério Ceni sempre quis a bola. Mais com um do que com outros, mas sempre a deseja. É um estilo antagônico ao palmeirense, exceto pela passagem de Abel Braga pelo clube.

E com o atual treinador, nesses primeiros jogos de 2021 com time titular, o que se viu foi um apetite mais acentuado pela posse, com pressão no adversário que detém a bola, movimentação frenética, zagueiros jogando no campo ofensivo e busca pelo gol. O tempo (quase) todo.

Por isso o confronto de domingo, às 11 horas, em Brasília, pela Supercopa do Brasil, colocará frente a frente estilos, propostas de jogo. São os dois últimos campeões da Libertadores, que têm em comum apenas o fato de serem brasileiros e terem vencido o torneio com treinadores portugueses.

E só. Por que Abel Ferreira não tem nada de Jorge Jesus, nada. E Rogério Ceni não chega a tentar repetir exatamente o treinador que virou o futebol brasileiro de cabeça para baixo em 2019. Mas insere elementos do jogo de JJ à sua proposta, em alguns aspectos até com mais ousadia.

Será um duelo imperdível.

Participe da conversa!
0