O Flamengo ganhou o bicampeonato carioca na noite de quarta-feira ao derrotar o Fluminense por 1 a 0. Foi o sexto jogo do time na volta ao futebol após a paralisação forçada pela pandemia do novo coronavírus.

Após centenas de testes com atletas, demais profissionais, parentes e amigos dos jogadores, apenas um dele teve COVID-19 depois que a bola voltou a rolar. Foi o lateral-direito reserva João Lucas.

Aparentemente não foi no clube que ele se contaminou. Afinal, dias depois que seu exame acusou positivo para a doença, novos testes foram realizados e nenhum outro comandado de Jorge Jesus apresentou tal resultado.

Isso significa que o comentado protocolo de segurança do clube carioca, que foi parar até na presidência da República, funciona? Pelo jeito sim. E é mesmo importante encontrar um meio de seguir jogando bola? Evidentemente!

No mundo ideal o Brasil teria tomado medidas eficazes, como fizeram Espanha e Itália. Quarentena mesmo, bloqueio, nada de viagens e passeios, todo mundo em casa por semanas, meses, saindo apenas para rápidas compras.

Deslocamentos para o trabalho etc, apenas de quem comprovadamente tinha tal necessidade. E com a obrigatoriedade de provar isso, ou seja, saiu às ruas sem necessidade, o cidadão recebe uma multa, pesada até.

Não foi assim. O chamado lockdown, ou seja, um confinamento pra valer, jamais aconteceu no país. Em algumas cidades o rigor foi maior, em outras menor, mas o relaxamento sempre esteve além do que era receitado.

O resultado disso: número de casos elevados da COVID-19 e mais de 75 mil mortes oficialmente confirmadas como consequência da pandemia. Antes os índices na Itália e depois no Reino Unido assustavam. Hoje o Brasil, sozinho, está prestes a superar os dois juntos.

Lá o futebol voltou seguindo os protocolos de segurança, mas a ameaça fora de estádios e CT já não é tão grande, embora persista. Eles esperaram o momento certo para voltar a jogar. E aqui, esse momento virá?

A resposta é sim, mas ela leva a outra indagação: quando? E por quanto tempo o futebol sobreviveria sem jogos? Após prenderem a respiração por aproximadamente quatro meses, os clubes necessita de partidas para oxigenar os cofres e pagar contas.

Se no começo da pandemia a palavra de ordem era nada de futebol. Após todo esse tempo, ficou inviável manter tal postura. Meses foram desperdiçados e o futebol precisa encontrar uma maneira de seguir em frente. Em segurança. Sempre. Parece possível.

Situação desesperadora

Não fosse desesperadora, ou quase isso, a situação dos clubes, o Campeonato Paranaense não voltaria como retornará após 125 dias. Jogo do Athletico, que seria em Londrina, passou para Cornélio Procópio porque a prefeitura da segunda cidade mais populosa do Estado não autorizou a realização de jogos.

Já Paraná e Coritiba viajarão cerca de 100 quilômetros rumo a Ponta Grossa. São improvisos que evidenciam o momento dos clubes. Seria mais fácil pura e simplesmente não jogar, mas as agremiações quebrariam. Rio Branco x Cascavel sai de Paranaguá para o mesmo local onde acontecerá o clássico.

Cianorte x Operário é um raro duelo que deve acontecer em seu local original. Está claro que o tempo desperdiçado nos três primeiros meses de pandemia cobra a conta. Para pagá-la, só jogando. Que todos sejam cuidadosos e responsáveis o bastante para que a bola role em segurança.

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