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Análise

Endividados, Corinthians e Galo vão ao mercado. Equilibrados, Fla e Palmeiras não

Endividados, Corinthians e Galo vão ao mercado. Equilibrados, Fla e Palmeiras não
| Foto: Reprodução/Shandong Luneng
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 14/06/2020 13:10

Estudo da Ernst & Young mostra que o endividamento líquido os clubes de futebol do Brasil cresceu nada menos que 150% entre 2010 e 2019. Se no começo desse período eles deviam R$ 3,3 bilhões, ao final do ano passado já era R$ 8,3 bilhões.

O líder desse ranking é o Botafogo (R$ 819 milhões), seguido por Cruzeiro (R$ 799 milhões) e Internacional (R$ 794 milhões). Então surge a dupla que, apesar dessas cifras preocupantes, segue no mercado de contratações, pelo menos na mídia.

O Corinthians fechou 2019 com dívida líquida de R$ 765 milhões, segundo a consultoria, seguido pelo Atlético-MG, R$ 656 milhões. No caso do clube paulista, há a pendência de sua arena em Itaquera, cujo total real ninguém sabe, mas calcula-se em R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão.

O Galo também tem um estádio com o qual deve se preocupar. A obra, com conclusão prevista para 2022, será erguida, segundo os planos da agremiação mineira, com o dinheiro arrecadado pela venda de parte de um shopping que pertencia ao clube e parceiros.

O atacante Roger Guedes, que passou pelo Atlético, emprestado pelo Palmeiras, antes de ir para a China, é um dos sonhos de consumo do clube de Belo Horizonte. Neste fim de semana, surge a informação: o Corinthians também deseja repatriar o jogador.

Juntos, os dois alvinegros devem R$ 1,4 bilhão. Fora o estádio erguido em São Paulo, a ser pago, e o que será construído em Minas Gerais, que poderá se transformar num investimento lucrativo, mas no primeiro momento drenará parte do patrimônio atleticano.

Curiosamente os dois clubes que mais vêm arrecadando seguem sumidos do mercado nesse período de pandemia. O Flamengo (R$ 950 milhões de receita total no ano passado), já deixou claro que não contratará mais. O Palmeiras (R$ 642 milhões) mantém o silêncio.

Claro, os rubro-negros já tinham um forte elenco em 2019 e buscaram vários reforços (Leo Pereira, Gustavo Henrique, Thiago Maia, Michael, Pedro Rocha, Pedro) antes da paralisação do futebol. E tinham mais objetivos no mercado, engavetados pelas circunstâncias.

O Palmeiras fez de Rony seu maior investimento no início da temporada e planejava mais atletas chegando no decorrer do ano. Diante do caos gerado pela Covid-19, colocou esses projetos em espera, apesar de ainda reunir condições para novas aquisições.

No mercado maluco do futebol brasileiro e seus dirigentes, as coisas funcionam na contramão da lógica administrativo-financeira. Mas essa disparidade de posturas explica porque alguns têm ficado mais fortes e outros, como o Cruzeiro, mergulham na crise.

Até na pandemia do novo coronavírus, há quem deseje "cruzeirar".

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O Internacional tem a terceira maior dívida líquida, mas o relatório da Ernst & Young ressalta que "cerca de metade do valor é referente ao acordo de cessão de algumas áreas do estádio Beira Rio para exploração comercial, não ocorrendo desembolso financeiro por parte do clube gaúcho".

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O Athletico tem a maior dívida relacionada a empréstimos do futebol brasileiro: R$ 458 milhões. Contudo, o relatório frisa que "mais de 90% estão relacionados a dívida do clube com o fundo de desenvolvimento do Estado do Paraná que financiou as reformas da Arena da Baixada".

O Furacão teve "o maior superávit do exercício (R$ 63,4 milhões), seguido pelo Flamengo (R$ 62,9 milhões) e Santos (R$ 24 milhões).

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