Em meio à paralisação do futebol forçada pela pandemia de coronavírus, há apenas uma certeza: o calendário da bola ficou apertado, em alguns casos estrangulado. Não é mais possível acomodar todas as partidas de diferentes competições dentro da temporada, seja a europeia, que terminaria em dois meses, ou a brasileira, prevista para acabar em dezembro.

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A situação é grave e rara. Raríssima. Desde a Segunda Guerra Mundial o futebol mundial não tem seus certames interrompidos como ocorreu nas últimas semanas. A bola parada em praticamente todo o planeta é um sinal inequívoco de que algo marcante, forte e impactante está acontecendo. E momentos assim costumam provocar mudanças no curso da história.

No caso do futebol brasileiro, cada vez mais parece imperativo que seja adotado o calendário internacional, o mesmo que a Europa utiliza há décadas. Seria uma solução para 2020 que encaminharia 2021 e os anos subsequentes numa direção muito melhor, evitando baixas pesadas com jogadores vendidos ao exterior no meio da temporada, por exemplo.

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Contudo, a resistência a tal mudança é grande. Há quem alegue ser impossível jogar futebol no Brasil durante o verão. Como se nunca tivéssemos feito partidas, inclusive finais, perto do Natal ou às vésperas do ano novo. E como se a bola não tivesse rolado em janeiro deste ano no dia 18 para estaduais. Teve ainda a Supercopa do Brasil em fevereiro. E às 11 horas da manhã, em Brasília!

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Paralelamente, há a overdose de partidas de seleções. Um exagero absurdo. No Brasil, na América do Sul, na Europa, em todo o mundo, uma mudança de suma relevância se faz mais do que necessária. E a crise provocada pelo coronavírus empurra na direção de uma redução de datas Fifa, que poluem o calendário do futebol, desfalca clubes e pouco acrescenta.

Treino da seleção brasileira no ano passado.
Treino da seleção brasileira no ano passado.| Lucas Figueiredo/CBF

Vale lembrar que as federações e confederações nacionais não revelam jogadores, não contratam, não pagam salários o ano inteiro. Mas aproveitam os atletas dos clubes, os convocam e ganham dinheiro vendendo ingressos, direitos de transmissão de partidas, com patrocinadores etc. Até quando os grandes clubes do mundo tolerarão isso?

Nem com os reflexos da pandemia irão desafiar esse absurdo? O coronavírus deveria levar o futebol a uma revolução. a hora é de lutar por mudanças que beneficiem a maioria, o esporte, não a quem dele se aproveita.

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