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Análise

Com menos dinheiro, Argentina faz 4 a 1 no Brasil na semana em duelos sul-americanos

Racing levou a melhor sobre o Flamengo no Maracanã.
Racing levou a melhor sobre o Flamengo no Maracanã.| Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 04/12/2020 10:26

Pelas oitavas-de-final da Libertadores, a semana marcou três confrontos Argentina x Brasil: o River Plate eliminou o Athletico, o Racing despachou o Flamengo e o Boca Juniors ganhou do Internacional, em Porto Alegre na peleja de ida. Já na mesma fase da Copa Sul-Americana, o Defensa y Justicia tirou o Vasco da disputa e o Bahia passou pelo Unión de Santa Fé. Resultado da semana, times argentinos 4 x 1 times brasileiros.

A supremacia dos clubes hermanos chama atenção. Primeiro, claro, pelas diferenças de investimento. Os números do site Transfermarket, que avalia valores de mercado dos jogadores e, consequentemente, dos elencos, mostra que, fora os dois gigantes argentinos, River Plate e Boca Juniors, que investem muito mais do que os outros, os clubes do país vizinho trabalham com orçamentos muito inferiores aos dos brasileiros.

Valores de mercado:

Boca Juniors 84,70 x 60,63 Internacional
Flamengo 123,55 x 39,28 Racing
Bahia 23,43 x 11,65 Unión
Athletico 52,20 x 103,45 River Plate
Vasco 40,98 x 15,45 Defensa y Justicia

Clubes brasileiros 300,79 x 254,53 Clubes argentinos

* em milhões de euros.
Fonte: Transfermarket.

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Roteiro que se repete, com times tecnicamente inferiores, e em alguns casos taticamente muito mais organizados, saindo de seus países para encarar e bater os brasileiros, que habitam o mercado mais rico do continente. Isso no cenário ainda mais desfavorável pela falta de ritmo das equipes argentinas, que ficaram longos meses sem entrar em campo e hoje disputam um torneio tapa-buraco para preencher o calendário.

Falta de jogos mais competitivos atrapalha times da Argentina

"Um dos nossos problemas na Argentina neste período de pandemia é a falta de jogos mais competitivos, pois estamos disputando uma competição sem grande relevância para torcida e imprensa. Os times ficam sem o ritmo ideal", disse, recentemente, em entrevista a este colunista, o CEO do River Plate, Gustavo Grossi. Ele fazia referência à Copa da Liga Profissional, que se arrasta por lá (o campeonato nacional só voltará em 2021).

Claro que os confrontos que significaram a eliminação do Athletico e a derrota do Internacional no cotejo de ida, em casa, fogem desse padrão. Mas na fase anterior da Sul-americana, o São Paulo, com elenco avaliado em 57,90 milhões de euros, caiu diante do Lanús, cujo grupo de atletas vale 33,48 milhões de euros. Só o atual líder do Brasileirão colecionou, nos últimos anos, eliminações para Defensa y Justicia, Talleres e Colón.

O Flamengo, campeão do Brasil, por sua vez sofreu desclassificações internacionais neste século para times minúsculos, como o uruguaio Defensor e o chileno Palestino, e outros, maiores, mas ainda assim com elencos mais baratos, como a Universidad de Chile. Os exemplos não são poucos e a maneira como times brasileiros fazem menos com mais (dinheiro) precisa ser questionada. A reflexão é obrigatória.

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