Em 2020 haveria mais uma Copa América, dividida entre Argentina e Colômbia. Seria a terceira edição em um intervalo de quatro anos, uma a mais em relação à Eurocopa, por exemplo, com a repetição do certame em duas temporadas consecutivas, já que o Brasil a sediou em 2019.

Transferida para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus, a competição sul-americana de seleções segue no calendário. Mesmo com o caótico cenário que persiste, especialmente em solo brasileiro, onde recordes do número de mortos pela Covid-19 são batidos diariamente.

Se já tivemos Copa América em 2016 e 2019, qual a necessidade de insistirem na realização de mais uma edição? Claro que apenas a financeira, a do faturamento daqueles que nela estão envolvidos. Por que nesse momento, muito mais razoável seria o cancelamento desse torneio.

Assim, ela retornaria ao calendário sul-americano quando o vírus for controlado, as pessoas estiverem vacinadas e a vida normalizada. Até para que torcidas possam viajar pelo continente e acompanhar suas seleções e os países anfitriões tenham como contar com o apoio de seus hinchas.

Mas nada disso parece pesar nas decisões da cartolagem. Ao mesmo tempo, entidades como a CBF encontram dificuldades para convocar jogadores que atuam na Europa. Quem sair da Inglaterra para jogar no Brasil, por exemplo, terá que encarar uma quarentena ao voltar à Europa.

Claro que os clubes europeus não querem ver seus caros atletas se aventurando pela América do Sul ou qualquer outra parte do mundo em meio à pandemia. Como países do "Velho Mundo" não aceitam receber, por exemplo, quem vive em território britânico. Afeta até a Champions League.

Por isso, jogos da principal competição da Europa têm acontecido em países neutros. O cenário é de limitações evidentes. Mas as eliminatórias sul-americanas foram mantidas no formato interminável adotado antes das últimas Copas do Mundo. Dez seleções jogam todas contra todas.

Os pontos corridos nessa competição que classifica até metade dos times é absurdo, sempre foi, pois sobrecarrega em quantidade de pelejas, o que obviamente interessa às entidades nacionais, que faturam. Não aos clubes, que são o alicerce básico do futebol e deveriam ser a prioridade.

O ideal seria uma disputa com dois grupos de cinco, classificando os dois mais bem colocados de cada chave e levando os terceiros colocados a um mata-mata que conduziria à repescagem. Assim, seleções que farão 18 jogos para conseguir vaga no Catar 2022 teriam que jogar só oito vezes.

Dirigentes não mudam o foco, não estabelecem rotas adequadas, não se adequam à situação. Com isso, clubes seguem lutando pela sobrevivência na crise e ainda são obrigados a seguir sustentando confederações nacionais e suas seleções, que passam longe das prioridades do momento.

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