Ponte Preta x Paraná poderia ser um rito de passagem para o Tricolor. Mas não dá para imaginar um toque de mágica que fizesse o time voltar a jogar como no início da Série B do Campeonato Brasileiro. Sob o olhar de Gilmar dal Pozzo, que assume o comando técnico a partir de agora, o Paraná Clube foi derrotado pela Ponte por 2x1, na noite desta sexta-feira, no Moisés Lucarelli, em Campinas.

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E foi um resultado justo, construído pela Macaca sem precisar jogar bem, diante de um Tricolor sem forças para fazer alguma coisa diferente. É esse time esfacelado que Gilmar terá que reabilitar a partir da próxima quarta-feira (9), na partida contra o Figueirense. Os jogadores estão sem confiança, e alguns deles têm nítidas carências técnicas. Será preciso mobilizar o Paraná, motivar o grupo e buscar uma recuperação que garanta a permanência da equipe na Segundona.

Ponte Preta x Paraná: os times

Victor Hugo Annes, o interino tricolor, teve que montar um quebra-cabeça. Entre jogadores lesionados, suspensos e com covid-19, o Paraná tinha diversas mudanças. Kaio na direita, Luan no meio, Hurtado na zaga, Juninho na esquerda, apenas Wandson no ataque... Eram trocas que enfraqueciam a equipe, mas que permitiam que enfim Renan Bressan e Vitinho começassem juntos a partida.

O plano era deixar Bressan como um 'falso 9', tirando-o totalmente da marcação. Para dar certo, seria preciso que Wandson e Vitinho aparecessem muito no jogo, tanto voltando para recompor a segunda linha quanto para se aproximarem da área. Diante de uma Ponte que estava pressionada - Marcelo Oliveira admitiu isso na entrevista ao SporTV antes do jogo -, o negócio era ter um time seguro, e que tentasse contra-atacar.

Bola rolando

O plano que Victor Hugo tinha imaginado não estava errado. O problema maior era a questão técnica de alguns jogadores. Por isso, a Macaca assumiu rapidamente o controle do jogo. Quando retomava a bola, o Paraná não tinha velocidade de transição, o que facilitava a vida dos donos da casa. E na jogada mais manjada da Ponte, o avanço de Apodi pela direita, Wandson não acompanhou, Guilherme Pato cruzou e Bruno Rodrigues fez 1x0.

Eram apenas 12 minutos de Ponte Preta x Paraná. E era clara a dificuldade dos visitantes. Só havia alguma esperança quando Vitinho e Bressan estavam com a bola, mas eram momentos raros. Faltava talento mesmo. Em vantagem, a Macaca dava campo ao Tricolor, que não sabia o que fazer com o espaço. Muitos erros de passe, erros de tomada de decisão, poucos acertos, para a tranquilidade de Marcelo Oliveira.

Mas aí um jogador inexplicavelmente preterido por Rogério Micale empatou a partida. No rebote da falta de Bressan, Jhony fez 1x1. Ele foi atrapalhado pelo ex-técnico, que preferia jogadores com menos qualidade a ele, disparado o melhor volante do Paraná Clube. A igualdade surpreendeu os donos da casa, que tentaram pressionar na volta do intervalo, mas também cometiam erros técnicos.

Terço final

O jogo tinha caído de produção. Era um negócio de erro de passe pra lá e pra cá. De boa notícia, o Tricolor não era pressionado. Victor Hugo apostou em Higor Meritão no lugar do lesionado Luan e no jovem Lucas Sene na vaga de Wandson, que não mostrou serviço. Mas a falha de marcação de Kaio sobre Bruno Rodrigues, e de Hurtado e Juninho na área permitiram que Camilo marcasse um gol de cabeça e recolocasse a Ponte na frente.

De novo atrás no placar, o Paraná tinha Guilherme Biteco e outro menino, Gabriel Kazu, nas vagas do cansado Vitinho e do inoperante Karl. Fechando as trocas, entrou Léo Castro no lugar de Jhony. Mas não havia força para buscar a igualdade. Sem chutar uma bola a gol sequer no segundo tempo, não daria para esperar outra coisa senão mais uma derrota. Gilmar dal Pozzo vai ter trabalho.

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