Tensão talvez seja a palavra para resumir Coritiba x Corinthians, nesta quarta-feira (25), no Couto Pereira. Sob altíssima pressão, o Coxa não conseguiu mostrar força e perdeu para o Timão por 1x0. Afundados na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, os alviverdes erraram muito - desde falhas táticas até erros técnicos simples. Foi uma jornada triste desde antes de a bola rolar.

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A noite já começou errada com o protesto dos torcedores e as ameaças aos jogadores. Impressiona que certa parte da torcida alviverde poupa os reais responsáveis pelo buraco que o clube se enfiou - os dirigentes, atuais e antigos, que erraram em todos os sentidos. Além da total falta de razão de promover uma aglomeração como as imagens mostram. Há uma eleição no próximo dia 12 de dezembro, e é bom mostrar sua posição nas urnas, pensando no futuro do Coritiba.

O presidente Samir Namur: poupado das críticas pela torcida organizada. Foto: Albari Rosa/Foto Digital
O presidente Samir Namur: poupado das críticas pela torcida organizada. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Corinthians x Coritiba: os times

Desde o jogo contra o Flamengo começaram os rumores da volta de Rafinha. Parecia apenas uma vontade, um desejo dos torcedores. Ainda mais quando Rodrigo Santana jogou água fria na fervura dizendo que ele só retornaria 100%. Mas quando saiu a escalação, o camisa 7 estava de volta e como titular.

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Assim como ele, voltavam ao time Rhodolfo, Matheus Bueno e Mattheus Oliveira. Giovanni Augusto seria o falso 9, mas trocando de posição com Robson. A formação era bem mais ofensiva, próximo do que pode se considerar ideal. Do lado do Corinthians, Vágner Mancini escalava duas linhas de quatro, colocando Lucas Piton à frente de Fábio Santos, justamente no setor de Rafinha. Walter era a novidade de última hora, por conta da lesão de Cássio.

Bola rolando

Em um momento de extrema dificuldade como vive o Coritiba, não se pode cometer erros - ainda mais deliberados. O placar poderia estar 1x0 aos 5 minutos, quando Robson ficou livre quase na pequena área. Mas em vez do chute, ele tentou um passe de calcanhar para William Matheus, e o Coxa não marcou. O lateral, inclusive, era bastante exigido na marcação, porque Fagner jogava espetado no ataque - tinha Roni a cobrir suas avançadas.

E, mesmo com muitos desfalques, o Corinthians era mais organizado. A quantidade de mudanças alviverdes - o Ricardo Brejinski contou essa história aqui no UmDois Esportes - dificultava o entrosamento. E, dominando, o Timão acabou conseguindo abrir o placar com Fábio Santos cobrando pênalti. O lance gerou discussão e a melhor explicação foi dada pelo Sandro Meira Ricci no Premiere: o toque do Maílton na bola é involuntário (e ele não daria falta), mas a arbitragem está orientada a marcar a penalidade nesses lances.

Leandro Vuaden olha o VAR antes de marcar o pênalti para o Corinthians. Foto: Albari Rosa/Foto Digital
Leandro Vuaden olha o VAR antes de marcar o pênalti para o Corinthians. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

A crise de confiança do Coritiba ficava evidente na dificuldade para a equipe arrematar a gol. Mesmo com espaço, os jogadores tentavam mais um passe e a oportunidade virava poeira. Esses erros de decisão impediam que os donos da casa tomassem o domínio da partida. E o Coxa só conseguia ser perigoso quando Rafinha, mesmo descontado, pegava na bola. Era comovente o esforço do meia para fazer o time jogar.

Problemas táticos

O desequilíbrio tático alviverde permitia ao Corinthians um controle seguro da partida. Pelas laterais, Fagner e Piton tinham espaço e chegavam no mano a mano, quando não livres. Pelo meio, Luan jogava entre as linhas, e só não fazia mais porque ele ainda não recuperou o bom futebol. Assim, o primeiro tempo de Coritiba x Corinthians teve superioridade do Timão. Para tentar mudar o panorama do jogo, Rodrigo Santana apostou em Pablo Thomaz no lugar de Mattheus Oliveira.

Posicionado mais à frente, o Coritiba ia aos trancos e barrancos tentando controlar o jogo. Só que a quantidade de erros técnicos era assustadora. Mesmo passes simples eram desperdiçados. E aos poucos o ânimo ia desaparecendo. Uma jogada simbólica: em meio a quatro jogadores alviverdes, Lucas Piton dominou com a canela e a bola espirrou. Nenhum coxa foi atrás da redonda, que retornou ao domínio do lateral corintiano.

Aí, Rodrigo Santana sacou Robson e colocou Brayan Lucumí. Já era um momento de domínio alviverde. Já era um tudo ou nada, reforçado pela entrada de Osman na vaga de Matheus Bueno e de Matheus Galdezani no lugar de Matheus Sales. Mas, com um jogador vindo de cada canto, sem entrosamento e na base do 'vamos lá', é difícil conseguir alguma coisa. Apesar da luta, o Coritiba perdeu de novo. Para o Corinthians, um resultado fundamental. Para o Coxa, uma crise sem fim.

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