A bola parou.

Tudo por causa de um vírus que, não se sabe exatamente como e por que, surgiu em uma cidade na China e espalhou-se pelo mundo inteiro.

Atende pelo nome de Covid-19, mas também pode ser chamado de novo coronavírus, pois se trata de uma reprodução de pestes anteriores.

Cai com uma luva para o atual momento em que vivemos, a célebre advertência da Albert Camus, em seu discurso na Suécia: “Cada geração se crê destinada a refazer o mundo. A nossa, entretanto, tem uma tarefa bem mais importante: a de impedir que o mundo se desfaça.”

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A fantástica reconstrução chinesa e sua ascensão ao primeiro plano mundial foram produto de um projeto forjado pelas elites, pela liderança comunista que aceitou abrir o mercado, desde que mantida a severa ditadura social. Como não tinha mais o que perder, ou continuar vivendo miseravelmente, o quase 1 bilhão e meio de chineses foi conscientizado dos novos termos.

O projeto nacional é a fixação de um objetivo preciso: a decisão firme de alcançar os países que estavam há séculos na frente da China.

Logo a China que foi tão inventiva, criativa e moderna em passado remoto. Marco Polo que o diga.

Pois foi exatamente lá que a peste iniciou-se há alguns meses e atingiu praticamente todos os cantos do planeta. Uma desgraça, sem dúvida.

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Mas os seres humanos finalmente se uniram e estão reagindo a pandemia que nos assola e promete levar muitas vidas até o final do seu ciclo natural.

O mundo parou.

Todo tipo de atividade sofreu algum tipo de mudança e há quem afirme que, ao fim e ao cabo do coronavírus, teremos mais pessoas falidas do que falecidas.

E como não poderia deixar de ser o futebol nosso, deste espaço semanal, também está sofrendo as conseqüências da desgraça que nos atemoriza.

Os campeonatos foram suspensos, os jogadores entraram em recesso e os profissionais das comissões-técnicas devem estar aproveitando a quarentena forçada para planejar o futuro.

Sim, existirá um futuro.

Não se sabe quando, nem como e com quantos sobreviventes ao caos. Mas que haverá um futuro não resta dúvida.

Pois que dirigentes, de clubes e entidades federativas, e profissionais qualificados que atuam em uma das atividades mais rentáveis do mercado de lazer e esporte aproveitem o tempo para repensar o futebol.

Estudem um novo calendário e uma nova fórmula de disputa de torneios que não marginalizem os pequenos clubes.

Aqueles pobres clubes, como o centenário Rio Branco, de Paranaguá, por exemplo, que dispensou a todos e desfez o time antes de o Campeonato Paranaense ser concluído.

Simplesmente ele não possui recursos para sobreviver a crise, pois só tem o Estadual para jogar e, mesmo assim, durante apenas três meses.

Não seria mais lógico e, sobretudo, mais responsável estabelecer um calendário anual de atividades para os pequenos clubes ?

Aqueles que não possuem jogos programados para os campeonatos nacionais ou continentais, deveriam ser assistidos pelas federações estaduais com competições mais extensas e que motivassem os seus simpatizantes, dentro dos seus próprios limites, no lúdico mundo do futebol.

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