Ufa! Demorou, mas conseguimos chegar ao final do arrastado Brasileirão de 2020. Muito pela terrível pandemia do maldito coronavírus, que virou o mundo inteiro do avesso, mas também pelo baixo nível técnico de quase todas as equipes da Série A e pelo deplorável padrão da arbitragem nacional, seja no campo ou na cabine, através dos recursos eletrônicos do VAR.

Ou seja, até com toda essa fantástica tecnologia colocada à disposição dos árbitros escolhidos pela CBF, eles conseguiram estragar diversos jogos com julgamentos e interpretações equivocadas.

O Flamengo é o campeão, mas o Internacional adquiriu todo o direito de protestar.

Sim, o time gaúcho foi flagrantemente prejudicado nas duas últimas partidas: uma decisão errada do juiz de campo na expulsão de Rodinei na derrota para o Flamengo e a volta atrás do apitador depois de ter assinalado a clara penalidade máxima cometida pelo jogador do Corinthians.

Os homens de preto conseguiram desmoralizar o VAR no futebol brasileiro. Virou VAR banana.

Ao longo do campeonato, antes de o Flamengo despertar e reunir méritos mínimos para a conquista do título, três concorrentes saíram na frente, ensaiaram a possibilidade de tornar-se campeão e se perderem no meio do caminho: Atlético-MG, São Paulo e Internacional.

Os jogadores do Galo não conseguiram interpretar durante os jogos o histrionismo do argentino Sampaoli à margem do gramado; o São Paulo chegou a decolar, mas caiu pela baixa produção dos veteranos ilustres contratados e, sobretudo, pela curiosa irritabilidade do técnico Fernando Diniz, que perdeu o vestiário ao xingar o jogador Tche Tche; e o Internacional porque não empolgou jamais.

Foi uma equipe valente, aguerrida, mas sem aquele toque de classe que poderia, por exemplo, ter evitado a inexplicável derrota para o Sport, dentro do Beira Rio.

Mesmo oscilando e com o treinador Rogério Ceni cometendo erros básicos em muitas partidas – considero prematura a sua nomeação como treinador de primeira linha só por causa dessa conquista quase acidental recheada de circunstâncias atípicas – , o Flamengo venceu por causa dos talentos individuais e da sua força ofensiva.

A diretoria e os dois técnicos que atuaram no Flamengo ao longo da disputa cometeram muitos pecados, mas os jogadores conseguiram a superação e fizeram por merecer o bicampeonato.

No mais, Vasco e Botafogo caíram de novo, fazendo companhia para Coritiba e Goiás na Série B da nova temporada; o Palmeiras ficou devendo, talvez por se dividir entre a Libertadores e a Copa do Brasil, onde fez sucesso; o Santos foi até onde pôde, assim como Fluminense e Grêmio; e o Athletico saiu da zona de rebaixamento para uma vaga na Copa Sul-Americana graças a Paulo Autuori, que mexeu com a cabeça do limitado elenco, o qual produziu muito mais no segundo turno da competição.

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