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Athletico x Boca: uma viagem no tempo

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Esportes Gazeta do Povo
29/03/2019 20:33 - Atualizado: 29/09/2023 23:34
Athletico x Boca: uma viagem no tempo
Athletico x Boca: uma viagem no tempo

A cada dia que passa aumenta intensamente a expectativa em torno da partida da próxima terça feira, entre Athlético e Boca Juniors, pela Copa Libertadores 2019.

Como eles já se enfrentaram uma vez, em janeiro de 1973, pela Taça Atlântico Sul, no então estádio Belfort Duarte – atual Couto Pereira – é natural que haja muita curiosidade nesta autêntica viagem no tempo.

Há 46 anos, muito da Curitiba de hoje ainda estava na prancheta de Jayme Lerner e sua inspirada equipe.

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A população começava a se acostumar com as canaletas dos ônibus expressos e com o fechamento da rua XV de Novembro para veículos. O comércio concentrava-se na região central, assim como os principais restaurantes, boates e, sobretudo, a maior diversão de todas: o cinema.

Do cine América, na rua Voluntários da Pátria ao cine Ritz, onde hoje se encontra a galeria com o mesmo nome, passava-se pelos cines Palácio, Avenida, Ópera, Arlequim, Lido e Luz. Ir ao cinema foi programa obrigatório, tanto que a Boca Maldita era conhecida como Cinelândia.

Todos os principais parques, como Barigui, Tanguá, Tingui, Bosque do Papa, Ópera de Arame, Jardim Botânico e outros ainda estavam sendo imaginados pela criatividade do jovem prefeito e os geniais pensadores do Ippuc.

Há 46 anos Curitiba experimentava profundo processo de renovação e transformação.

Daquele tempo em diante a nossa capital tornou-se a cidade mais avançada e charmosa do país.

Quase tudo era diferente, pois ainda não conhecíamos o conforto do telefone celular, muito menos da internet, GPS, fita cassete, vídeos, CDs, DVDs. Não se usava nem cartão de crédito.

O disco de vinil imperava, especialmente nas festinhas em que os garotos levavam litros de Rum para o Cuba Libre ou de Vodca para o Hi-Fi. Os refrigerantes e os salgadinhos eram responsabilidade das mocinhas da Jovem Guarda.

O futebol era uma grande atração com quatro times em Curitiba – Athlético, Coritiba, Colorado e Pinheiros – disputando os campeonatos com os adversários do interior. No recém-criado Campeonato Brasileiro – apenas uma divisão – só o campeão estadual tinha vaga.

Fazíamos campanha na imprensa para que tivéssemos mais uma vaga no maior torneio nacional. Coisa que só aconteceu em 1974 com a confirmação da dupla Atletiba.

A televisão engatinhava na transição das imagens em preto e branco para o colorido.

Programas Flávio Cavalcanti, Chacrinha, Jota Silvestri, Blota Junior, Fantástico, novelas em geral conquistavam os brasileiros aos poucos. Sim, Silvio Santos já estava no ar.

Havia muita programação local. Apresentávamos programas diários e debates nas segundas feiras na Tv-Paraná Canal 6 – do grupo Diários e Emissoras Associados -, irradiava os jogos pela Rádio Clube Paranaense, a Bedois, e, sim, já escrevia colunas no jornal Diário do Paraná.

Mas o reinado era mesmo do rádio. Sobretudo nas transmissões esportivas sem a poderosa concorrência com a tevê.

O torcedor ouvia os jogos e, através dos nossos relatos e informações, ia criando o seu próprio jogo de sonhos ou pesadelos. Dependia do resultado final.

Com o desenvolvimento da tevê nunca mais se pode imaginar o mundo apenas através das palavras.

Mas o rádio reinava absoluto naquele dia em que o Athlético venceu o Boca Juniors no Alto da Glória.

Ferrero abriu a contagem para o time argentino, mas o meia Torino empatou no final do primeiro tempo e o atacante Madureira assinalou o gol da vitória, da grande virada rubro-negra.

O Furacão passava por dificuldades financeiras e estava distante do principal rival, o Coritiba. Era uma situação praticamente inversa do que observamos hoje: o Coritiba estagnado e o Athlético em ascensão.

Há 46 anos o Coxa possuía o maior e melhor estádio, acumulava títulos de campeão e naquele mês de janeiro iria conquistar o Torneio do Povo para encerrar o ano com o tricampeonato paranaense.

O Athlético, ao contrário, vivia um drama para pagar as contas e manter um elenco razoavelmente competitivo. Foi ali que se iniciou a transformação, com a reunião de jovens empresários na fundação do grupo que se chamou Retaguarda Atleticana.

Sob a liderança de Valmor Zimermann, uma nova geração aproximou-se da elite diretiva do então “Pó de Arroz” ou “Cartola”, como preferir, e começou a virar o jogo. Virou tanto que um dos seus integrantes, Mario Celso Petraglia, consagrou-se como o mais moderno e ousado dirigente do futebol brasileiro.

Terça-feira tem mais. Muito mais emoções para a torcida atleticana.

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