Em Nova York, a Netflix, diariamente, reúne ex-jogadores comandados por Gary Lineker, e o resultado no programa “O resto é futebol”, é o melhor debate sobre essa Copa do Mundo. A propósito, a maioria dos ex-jogadores brasileiros que foram transformados em comentaristas deveriam assisti-lo.
Podem saber de futebol como os ingleses sabem, mas terão uma lição de como é bonito exercer com amplitude o direito de liberdade de opinião, sem o receio como impedimento, ou às vezes, uma autocensura para não ferir antigas relações.
Um dia desses, em “O resto é futebol”, o francês Patrick Vieira, que era o volante da França campeã de 1998, provocado para indicar um favorito ao título dessa Copa, falou:
“Para uma seleção ser campeã do mundo, é preciso que o seu melhor jogador não oscile e seja o melhor de todos. A França é favorita porque entre os melhores não tem nenhum igual a Kylián Mbappé”.
Fazendo uma visita ao passado através dos vídeos de cada época, tem-se como verdade a opinião de Patrick Vieira. Vejam só os exemplos das conquistas do Brasil. Em 1958, a Seleção era dependente de Didi, Garrincha e Pelé.
Os três foram perfeitos. Didi organizava um jogo para Garrincha e Pelé fazer jogadas e gols “que o mundo jamais tinha visto”, segundo os ingleses.
Em 1962, o Brasil dependente de Garrincha e Pelé, perdeu o “Rei” no segundo jogo. Daí, Garrincha assumiu toda a dependência e ganhou-se o bi mundial. E continuou assim: em 1970, apesar da excelência de Gerson, Tostão, Jairzinho e Rivellino, foi Pelé quem resolveu os momentos mais difíceis; em 1994, Romário, e em 2002, Ronaldo “Fenômeno”.
E o que aconteceu com o Brasil, aconteceu com os outros: Beckenbauer em 1974, Lothar Mattaus em 1990 e Toni Kross em 2014, com a Alemanha; Paolo Rossi em 1982 e o zagueiro lendário Fábio Canavarro em 2006, com a Itália; Maradona em 1986 e Lionel Messi em 2022, com a Argentina; Zidane em 1998 e Mbappé em 2014, com a França.
Nessa Copa que se joga, o Brasil ainda não tem um grande time. E há dúvida se terá. O empate com o Marrocos e a vitória ilusória sobre o Haiti foram consequência da diferença que Vinicius Junior provoca contra times secundários. Como poderá fazê-lo na próxima fase contra Holanda ou Japão.
Mas possui os atributos para ser o “melhor de todos os melhores” contra Messi, Mbappé ou Harry Kane?
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