Pelas falhas contra o Vitória e contra o Fluminense, não falta quem continue sugerindo que o goleiro Santos encerre a sua carreira. Insensível, parte da premissa equivocada de que as coisas no futebol são fáceis, assim, de resolver.

No caso de Santos, como goleiro atual do Athletico, a questão é bem mais complexa. A começar pelo fato indiscutível de que as falhas na sua conduta não é uma regra, mas uma exceção. E para se ter isso como verdade, nem é preciso recorrer ao passado, no qual foi figura central nas conquistas do bicampeonato da Sul-Americana e da Copa do Brasil.

Considere-se apenas a sua atuação neste período que marca a sua volta, a partir de 2025. Na Segundona, só teve uma falha, contra a Ferroviária, em Araraquara, traído por um “morrinho” ao tentar devolver a bola na intermediária rubro-negra. De resto, em 2026, até o jogo contra o Vitória, não havia falhado, mantendo a regra do grande goleiro. Já por esse ponto, não se pode sacrificá-lo pelas exceções.

Há outro ponto relevante: o retorno de Santos ocorreu pelo único motivo de Mycael falhar na Segundona, muito pelo fato de na época não ter se recuperado da falha contra o Bragantino, e que foi um dos motivos do rebaixamento, em 2024. Agora, após meses inativo recuperando-se de uma cirurgia, com um único jogo neste Brasileirão, Mycael é uma incógnita.

E por último, o ponto mais relevante. É necessário respeitar a condição de Odair Hellmann, nem tanto como treinador, mas como gestor de grupo. Como repórter de rádio e jornal que passou 25 anos nos bastidores de clubes, do Athletico, em especial, um problema como esse não se resolve através de decisões isoladas, embora pela hierarquia, o técnico tenha esse poder. Quase sempre, a solução do que é certo ou errado vem depois de uma conversa do treinador com outros jogadores, e com os próprios envolvidos, no caso, Santos e Mycael.

Por esses motivos, não estou entre aqueles que estão clamando pela saída de Santos. Ao contrário, deve permanecer no gol rubro-negro. Mais ainda por ser um jogo contra o poderoso Cruzeiro, no Mineirão.

Sugerir que o Athletico faça uma homenagem a Santos e de a sua carreira como encerrada, é, no mínimo, bem mais do que um exagero.

Santos falhou mais uma vez no Furacão, desta vez contra o Flu. (Foto: Heuler Andrey/DiaEsportivo/Alamy Live News/IconSport).

Augusto Mafuz – leia o perfil completo

Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.

Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.

Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.

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