Futebol não é para pobre pregou certa vez Mário Celso Petraglia, quando a Baixada ganhou a primeira forma de arena em 1999. Dita a extinta coluna “Painel” do caderno esportivo da Folha de São Paulo, provocou as mais diversas criticas em solidariedade às massas populares que eram a essência da torcida em um estádio de futebol.

Dita hoje, a frase continuaria repercutindo como ofensa e desprezo. Não obstante, ambientada na situação econômica e social do Brasil, tem um fundo de verdade: definitivamente, o futebol deixou de ser esporte acessível regularmente para os extratos populares sem privilégios. E o mais grave é que o custo do futebol já alcança, se ainda existe, a classe média.

No caso do Athletico, os seus adeptos precisam ganhar consciência de que já não são mais torcedores, são clientes. É que há um fato consumado: o Furacão deixou de ser uma entidade institucional, tendo como fim social de jogar futebol para atender a paixão do seu povo.

Sem precisar atender aos requisitos jurídicos de uma lei geral ou específica, já se tornou uma sociedade empresária, cujo único sócio é Mário Celso Petraglia, o seu CEO e presidente.

Se essa fosse uma conclusão isolada, muitos devotos de Petraglia que não me conhecem, poderiam e vão afirmar de que é por questão pessoal. No entanto, os maiores especialistas em finanças de clubes, sem nenhuma questão pessoal, pensam assim.

No Blog do Perrone, no UOL, Cesar Grafietti, a maior autoridade em análise de finanças esportivas, depois de exaltar a gestão de Petraglia, que aliás, ninguém pode negar, conclui: “Gestão corporativa num ambiente associativo. Praticamente um clube de dono”.

Por essa qualidade de empresa, o Athletico tornou-se frio. Só considerando números, tudo e todos que não lhe trazem lucros, passam a ser um estorvo. Quem voltar a Baixada a partir desse jogo contra o Bahia será recebido como cliente. E não estranhem se a “gestão corporativa” começar a se negar a renovar a associação.

E não venham os seus devotos com a oração de que Petraglia construiu esse novo Athletico. Primeiro tem que acertar as contas de R$ 650 milhões. Depois terá que responder para quem construiu esse “novo Athletico”? Para a torcida ou para clientes.

*Essa coluna é em homenagem ao leitor Mendes Dominin. Inteligente, golpeia-me, mas com luvas Armani.

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