É fato que todos os clubes, sem distinção, sofrem influências negativas dos efeitos patológicos da Covid-19. E esses efeitos, ao contrário do que parece, não se limitam ao esgotamento de algumas fontes de renda. Agora, no mesmo nível de gravidade e, a médio prazo ainda maior, está o impedimento de formar e finalizar a formação de jogadores da base.

Os efeitos financeiros atingiram Flamengo e Palmeiras, os dois melhores do Brasil, sem dúvida. No entanto, na decisão da Supercopa, provaram que a influência técnica não foi sentida.

E não foi pelo fato de já terem times definitivos formados por dinheiro, mas, pela excelência da qualidade de jovens revelados pelos próprios clubes, tudo isso antes da pandemia.

Quer dizer: a supremacia do Flamengo e do Palmeiras não é consequência só de dinheiro, mas de um trabalho de observação de mercado, de atração de jovens e de execução, enquanto ensinamento e formação.

Há que se considerar que o poder atrativo de Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Santos é irresistível. No entanto, essa preferência não impediria a busca pelos outros, e depois, a formação de um grupo mínimo de jovens com qualidade para atender as necessidades dos outros clubes. A análise entra no nosso quadrado.

Excluindo o Coritiba que está na segunda divisão, sobra o Athletico. Coincidência ou não, o Furacão perdeu o poder de busca e conquistas excepcionais no mercado em razão de conflitos com parceiros de plantio.

No passado, do PSTC vieram Kléberson, Fernandinho, Jadson e Dagoberto. E, recentemente, do Trieste, Léo Pereira e Renan Lodi. Do Audax, o extraordinário Bruno Guimarães. Hoje, nenhum desses clubes têm interesse em fazer negócios com o Athletico porque sempre há conflitos no momento do acerto de contas.

A consequência desse fato é de que o Furacão foi remetido para o mercado especulativo e aleatório, que se torna uma aposta. Há quantos anos o CT do Caju não revela um único jogador nascido em escolinhas do Athletico? Explica-se, aí, que da última geração formada, talvez, Bento, Luan Patrick e Kawan sejam eleitos.

O Athletico, portanto, não pode justificar a sua inibição no mercado pelas consequências financeiras da pandemia. Mais grave está sendo o péssimo trabalho nas categorias de base.

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