A goleada do Athletico por 4 a 0 sobre o Tocantinópolis, que o fez avançar na Copa do Brasil, não foi o fato mais relevante na Baixada. Ao contrário, não há relevância em uma vitória quando há descomunal diferença entre instituições, entre Athletico e Tocantinópolis. A análise da vitória e do placar se esgota na simples obrigação de ganhar e golear.

Mais do que um jogo, o Furacão jogava muitas outras coisas. É que o projeto, uma verdadeira ficção que a locução central apresenta todo o início do ano para iludir a torcida, introduzia o terceiro técnico em cinco meses de 2022. Era fundamental que fosse criado o mínimo otimismo de futuro imediato.

Então, mais do que a goleada, a relevância do jogo esteve no ânimo dos jogadores do Furacão. Pelos mais diversos motivos, mas em especial por motivar respeito ao seu redor, o treinador Luiz Felipe Scolari provocou um impacto imediato no espírito atleticano em campo.

Então anêmico, sem metabolismo, e já quase desenganado por causa de Valentim e Carille, o time teve outro semblante. Então indiferentes para sair das amarras, os jogadores se envolveram, inclusive sentimentalmente, como se fosse o primeiro jogo da vida de cada um.

Marlos foi a representação pura desses fatos. Excepcional, correndo, marcando e criando, comandou a goleada com os gols de Hugo Moura, Khellven e veja só, Pablo (2). Depois do quarto gol, aos 12 minutos da etapa final, o jogo se tornou uma recreação.

Da organização do time e dos reflexos da atuação de Felipão, não se pode se analisar. Por mais que os apaixonados tenham visto uma forma de time (eu, também, a vi) não há como se projetar virtudes especiais sem a mínima resistência contrária. E não se pode fazer um juízo por Felipão, alternando titulares e reservas, ter usado o jogo para começar a definir o seu time ideal.

Contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, é que a coisa começa para valer. Mas, o sentimento que ficou foi o de que Felipão começou a devolver a alma do Furacão.

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