Pródigo em adotar metáforas, aforismos e figuras de linguagem para explicar situações que não lhe são comuns, o futebol usa o substantivo carrasco para dar identidade àquele que, em repetidos momentos, é lembrado por praticar atos que levam um time à derrota.

Um dos mais famosos do futebol brasileiro foi o saudoso Assis. Fla-Flu, 1983, Maracanã: 45’ da etapa final. O zero a zero no placar consagrava o Flamengo campeão carioca, motivando a sua torcida a já comemorar. Então, com um toque magistral, Assis jogou a bola no contrapé do goleiro Raul Plasmann. Fluminense 1 x 0, campeão.

Em 1984, novamente, em um Fla-Flu, no final do jogo, Assis marcava 1 a 0 e o Fluminense era bicampeão. A torcida do Fluminense terminou o jogo cantando: “Recordar é viver, Assis acabou com você!” .

Entre nós, o mais famoso carrasco foi Dirceu

Athletico, então Atlético-PR, comemora título estadual de 1990, do fatídico gol de Berg. Foto: Arquivo/GRPCOM
Athletico, então Atlético-PR, comemora título estadual de 1990, do fatídico gol de Berg. Foto: Arquivo/GRPCOM

Entre nós, das lembranças que eu tenho, o mais famoso carrasco foi o atleticano Dirceu, nas finais do Estadual de 1990, contra o Coritiba.   Dirceu é um negro de coração grande e de sorriso sem fronteiras. Na época era o chamado tanque que para fazer um gol, passava por cima.

No Couto Pereira, com uma vitória simples, o Coxa seria campeão. Ganhava por 1 a 0, a sua torcida já comemorava, quando aconteceu no último minuto: o volante Gilberto Costa cobrou uma falta na primeira trave, pegou Dirceu sozinho que, de cabeça empatou o jogo.

Nos 2 a 2 do segundo jogo, do famoso gol de Berg, Dirceu voltou a marcar. Furacão, campeão. Dirceu entrou para a história do Atletiba como o “carrasco dos coxas”.

Está para nascer um dos maiores carrascos do Coritiba

Cuca orienta o Santos na final da Libertadores 2020. Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
Cuca orienta o Santos na final da Libertadores 2020. Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo| ESTADÃO CONTEÚDO

Está para nascer um dos maiores carrascos do futebol brasileiro: o treinador Cuca, do Santos.  E, o condenado, pode ser o Coritiba.

Em 2005, o Coxa foi rebaixado. Estava na zona de queda quando Cuca foi demitido do seu comando. Em 2009, jogava a sua permanência no Brasileirão contra o Fluminense de Cuca, no Couto Pereira.  O empate de 1 a 1, rebaixou-o e manteve o time carioca.   

Agora, contra o Santos, na Vila Belmiro, uma derrota do Coxa irá oficializar o seu rebaixamento para jogar a Segundona, em 2021. O técnico do Santos é Cuca.

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