Nos próximos dias, os torcedores do Coritiba irão eleger o seu presidente. Já se vão mais de cem anos, e não houve uma eleição que fosse tão importante como essa. É que antes se elegia ou reelegia um presidente para continuar a vida de glórias, ou recuperar uma hegemonia de campo. Agora, o diagnóstico é grave, amenizá-lo com qualquer argumento, é incentivar o uso de seu potencial destrutivo.

Em estado de insolvência financeira, em razão da indulgência administrativa, a sua cotação para ser rebaixado aumenta a cada jogo. Bem por isso, o Coritiba deve escolher alguém que o salve da morte, daí a relevância dessa eleição.

Quando ignoramos soluções imediatas para resolver uma questão, é bom consultar o saber dos outros, mesmo que sejam rivais, adquirido no pretérito. É quando a prudência, virtude tão desprezada nos últimos tempos, adquire força vital.

Entre as virtudes de Mario Celso Petraglia, no comando do Athletico, está a sua intransigência aos limites que sempre impôs aos direitos das torcidas organizadas. Pode-se tratar essa ação como uma redução de liberdade, de expressão ou do exercício do poder arbitrário. O que não se pode afirmar é que isso não trouxe benefício para o Furacão. Na Baixada, nunca ocorreu o risco de se eleger um integrante de torcida organizada para presidente.

Não se trata de olhar para as organizadas com desprezo, nem as tratar só como grupos com desajustes sociais e morais, embora, em regra, seja a sua base de composição.

É que a experiência da vida, e no futebol, em especial, se limita a arquibancada. Nessa, formam-se passionais inconsequentes, que não tem a mínima noção do que é administrar um clube de futebol. Mais grave: adquire um poder invulnerável, pois, seus parceiros de arquibancada se amotinam, monopolizando as decisões do clube como associados e conselheiros.

A reeleição de Samir Namur, um integrante licenciado de torcida organizada, será a justificativa para o Coritiba, ter a narração da sua história iniciativa pela fantasia do “era uma vez...”

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