As omissões voluntárias dos jogadores da seleção brasileira tornaram o manifesto contra a Copa América, no Brasil, uma verdadeira carta de amor ao presidente Bolsonaro e à CBF.

O medo de constranger os autores do ato está tão expresso pelo silêncio, que nem mesmo ofereceram a solidariedade às famílias dos quase meio milhão de brasileiros que morreram vítimas da Covid-19.

É bem possível que tenham concluído que a solidariedade às famílias das vítimas implicaria em crítica a quem propôs a imunidade de rebanho.   

A questão não é censurar os jogadores pela falta de expressão do manifesto. O equívoco foi o de provocar a expectativa de que adotariam uma conduta enérgica. Não precisava ir ao extremo de negar a jogar a Copa. Mas, no mínimo, apresentá-los como instrumento de manipulação de um ato político.

Entendo os jogadores brasileiros. Conheço-os pela alma. Em regra, saídos de um extrato social periférico, nascem com medo, crescem com medo e, nem mesmo a fama, a fortuna e o poder do ídolo perante o povo são capazes de romper as correntes da alienação da vontade real.

O último capítulo do caso Copa América será encenado pelo Supremo Tribunal Federal. Nos gabinetes, a decisão já está tomada: como motivo aparente, os Ministros irão concluir que a Corte não tem competência para decidir sobre a realização de um torneio de futebol em razão de que ele não está sendo organizado e patrocinado pelo Governo Federal, mas pela CBF.

Como motivo de fundo, está o fato de que a realização de um torneio de futebol é coisa pequena diante da intensidade de conflitos entre a Corte e Bolsonaro. Tem coisas mais importantes pela frente.

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