O título do post provoca doces lembranças. Era um tempo em que a paixão pelo futebol era dividida em porções quase iguais entre coxas, atleticanos e “bocas negras”. A grandeza interna de Coritiba, Atletico e Ferroviário era o bastante para o consumo dos nossos sentimentos.

Dos três, o Athletico vive intensamente e o Coritiba, por ter ainda homens de boa vontade, procura voltar a ter uma vida plena.

No entanto, a mais bela camisa de todas (a do Ferroviário) e o distintivo mais fiel às origens de um clube no futebol brasileiro, a “boca negra”, foram dizimados pelas ações dos homens de má-vontade. Junto foram o pinheiro, o patrimônio dos azuis e um exemplo de administração adotado no futebol brasileiro.

No seu lugar, ficou o Paraná que conseguiu rasgar a história da sua vida, ao ponto de sem nenhum constrangimento prometer a entrega da sua administração a especuladores estranhos que, talvez, tenham trazido o roteiro para o funeral da instituição,  que uma noite fez a Baixada conhecer o então inusitado público de 40 mil torcedores.

Mas como não há limites para o coração, cada um vive o seu mundo, pois é nele que estão as razões.

As emoções começam na Vila Capanema, com o Paraná jogando com o Botafogo de Ribeirão Preto.  Derrotado em Erechim (2x0), o time de Maurilio está consciente que uma nova derrota começa a criar um ambiente de Série D. E a expectativa para a ocorrência de fato negativo influi muito mais do que a expectativa positiva.

Depois, o Coritiba que está sendo tratado com afagos maternais, por ser necessária a sua volta, joga no Nilton Santos, contra o Botafogo. Pelo que se viu na primeira rodada, é possível dar-lhe o tratamento de favorito. A ideia que deixou na vitória sobre o Avaí (2x0) foi a de que ganhou a consciência de suas limitações técnicas. E quando há essa consciência, o jogador se disciplina ao esquema e busca compensar suas deficiências com o jogo corrido. Presumo que esse Coxa aprendeu que na Segundona não se joga bonito.

E, por último, no domingo, por clube de primeira, o Athletico joga em Caxias contra um Juventude que, às vezes, faz o papel do gaúcho autêntico de botas e esporas para quem não tem bola perdida.

Bem que o Furacão poderia ser apresentado como favorito. Mas é melhor que não seja, pois, seis meses depois, sabe-se quais são os seus defeitos, mas não se sabe quais são as suas virtudes.

Participe da conversa!
0