Na Baixada, pela Libertadores da América, Athletico 1 a 1 River Plate. Nós que vemos o futebol com o coração, às vezes, praticamos o pecado do egoísmo. Desprezamos os fatos que ambientam um jogo, e que não ocorrem por acaso, para dar razão à incompreensão.

O sentimento dos atleticanos que ficou após esse empate na Baixada é o de perda. O Furacão poderia perder para o poderoso River, porque já tinha vários álibis: até um dia desses, estava encaminhado para a Segunda Divisão nacional;  jogava contra o melhor time da América do Sul;  às vésperas do jogo, entre os nove jogadores que foram infectados pelo Covid, estavam o goleiro de Seleção, Santos, o seu reserva Jandrei. Então, teve que recorrer ao jovem curitibano Bento e, sem Christian no meio, ficou sem Nikão, que há anos é o núcleo de qualquer esquema.

Athletico x River Plate - as informações no tempo real do UmDois Esportes!

Mas, eis que de repente, sob a supremacia da personalidade de seu treinador Paulo Autuori, mostrou que era possível alguma coisa além da derrota. Depois de um primeiro tempo irrepreensível na ordenação do jogo (marcação e defesa), com Walter e Bissoli na etapa final, levou os Millionários à loucura.

Inteligente, Walter passou a atrair a zaga, abrindo espaços. Na primeira jogada que fez, a bola foi para um vazio que Bissoli ocupou. E o seu chute rasteiro venceu o goleiro Armani.

E o Athletico que já tinha a sua derrota anunciada e sob conforto, então passou a ganhar de 1 a 0. E, para isso, não fazia nada mais do que jogar estupidamente bem pelas circunstâncias antecedentes (contaminação). Era tão perfeito no aspecto tático pelo que o jogo exigia, que parecia vacinado, sem riscos.

Athletico não teve como segurar o River após expulsão

Mas aí o jovem Reinaldo foi expulso, obrigando Autuori a remontar o time. Se com onze tinha que se superar para dar equilíbrio técnico e tático, com dez teve que suar sangue. Cittadini já estava sangrando há tempo.

O empate seria o corolário da pressão que o River exercia. E ele aconteceu, aos 44 minutos, na bola vindo de escanteio, passou pelo quase invulnerável Thiago Heleno, que poderia ter subido mais, para ser desviada pela cabeça de Paulo Diaz, 1x1.

Não escolho o melhor em campo. Escolho aquele que simbolizou o Furacão nesse jogo: o goleiro Bento, 21 anos. Estreando como profissional no time de infância, no lugar de Santos, goleiro de Seleção, pela Libertadores e contra o poderoso River Plate, mostrou imensas virtudes que o tempo irá consagrar. 

Essa coluna é dedicada a seus pais, que não os conheço, não sei os nomes, e não sei onde moram.

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