Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, uma espécie de Generalíssimo Franco do futebol (não é coincidência que o sanguinário ditador era Real Madrid) reuniu os clubes mais ricos da Europa, pensando que o dinheiro seria capaz de acabar com a tradição.

Não me surpreende que, em menos de 48 horas, as instituições inglesas em geral, e o povo, em especial, implodiram a Superliga Europeia.

É que nenhum povo respeita tanto a tradição como o inglês, desde que em 1658, ao custo de cinco mil cabeças, inclusive a do rei, a Revolução Puritana de Oliver Cromwell, seguida da Revolução Gloriosa, acabou com o Absolutismo na Inglaterra, mostrando como o país poderia ser feliz sob os princípios republicanos. Respeitando os costumes, é leal à ordem constitucional não escrita.

Desde que chutaram a primeira bola de futebol, em 1863, o inglês passou a ensinar ao mundo (e conseguiu) que a único critério honesto de escolher o vencedor um jogo, é o técnico. A prevalência desse critério está enraizada na cultura de todos os povos.

No Brasil, o único cartola que se manifestou foi o presidente do Athletico, Mario Celso PetragliaAo repórter Fernando Rudnick, do UmDois, falou: “A estrutura de poder e domínio da Fifa de proteção somente aos seus interesses está esgotada. A crise só atingiu os clubes e não suas instituições representativas. Felizmente, o movimento de independência surge no continente europeu, precisamos e torcemos para que a América siga no exemplo e tenhamos a mesma determinação”.

Petraglia perdeu uma boa oportunidade de mostrar a coragem de enfrentar o sistema. No entanto, usa um fato concreto na Europa para defender uma tese genérica, própria daqueles que não tem coragem de enfrentar especificamente os predadores do futebol brasileiro. Com as suas razões, Petraglia bem que poderia afirmar que o exemplo deveria ser adotado para combater a CBF, as Federações estaduais e a Confederação Sul-Americana.

Mas nada é pior do que a sua incoerência que, no caso, é absurdamente intolerante. Há anos, apoiado em razões sólidas, enfrenta e não consegue vencer o desequilíbrio de tratamento da CBF na distribuição dos valores de televisão. Agora, joga para o lixo todos os seus argumentos sadios na busca do equilíbrio, para adotar a supremacia do dinheiro como critério de solução esportiva.

O que Petraglia não explicou é qual o lugar que caberia ao Athletico em uma Superliga das Américas. Ou para ele não interessa a questão específica que atende pelo nome Furacão?

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